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BCE mais cauteloso eleva risco sobre desaceleração global e derruba bolsas

Postado por: TC Mover em 07/03/2019 às 12:33

A postura mais cautelosa do Banco Central Europeu, com a revisão para baixo das projeções para PIB e inflação da Zona do Euro, elevou os temores do mercado sobre a saúde da atividade global, enfraquecendo o euro e impactando as bolsas globais.

 

Em coletiva de imprensa, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que ventos contrários externos – riscos de desaquecimento na China e nos Estados Unidos – e internos – problemas na Itália e na indústria alemã – motivaram o corte da estimativa para o crescimento do PIB europeu neste ano de 1,7% para 1,1%. Para 2020, passou de 1,7% para 1,6%, e, para 2021, permaneceu em 1,5%. Já as projeções para a inflação na região caíram de 1,6% para 1,2% em 2019, 1,7% para 1,5% em 2020 e 1,8% para 1,6% em 2021.

 

Por volta de 12h15, o euro operava em queda de 0,60% ante o dólar americano. Já o índice acionário pan-europeu Stoxx600 recuava 0,64%, enquanto o índice Dow Jones perdia 1%. O juro dos Bunds, como são conhecidos os títulos de dívida alemães de dez anos, caía 5 pontos-base para 0,07%, menor patamar em três anos. No mesmo instante, o Ibovespa caía 0,27% a 95.963 pontos e o dólar futuro subia 0,66% frente ao real, cotado a R$3,871.

 

O pessimismo tomou o lugar do ânimo registrado mais cedo, até então influenciado pela leitura do copo meio cheio diante de mais estímulos por parte do BCE. Após a reunião de política monetária, o BCE estendeu o viés de taxas de juros estáveis na região até pelo menos o final do ano e confirmou nova rodada do programa de crédito bancário a bancos comerciais, o chamado TLTRO, a partir de setembro. Draghi, no entanto, disse que mais detalhes a respeito disso serão anunciados oportunamente.

 

Tal reversão da política, com planos para novas medidas de estímulo menos de três meses após a retirada do seu programa de compra de títulos de US$2,9 trilhões, torna o BCE o primeiro banco central a atenuar as políticas em resposta à desaceleração global.

 

Para alguns bancos, como Mizuho, a mensagem sobre o programa de financiamento a bancos comerciais foi decepcionante. O mercado esperava que o BCE já anunciasse uma rolagem do TLTRO, a maior parte delas na Itália e na Espanha, que detêm mais de 700 bilhões de euros em TLTROs, instrumentos de crédito barato. Sem esse dinheiro, o risco é que os bancos limitem o acesso ao crédito e agravem a desaceleração. O BCE disse que uma decisão sobre os TLTROs virá no momento adequado.

 

Na coletiva, Draghi disse que o colegiado não discutiu a retomada de um programa de recompra de ativos. Segundo ele, a economia da zona do euro ainda está se recuperando, mas em um ritmo mais lento.

(Foto: Mario Draghi/CNN)

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