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Bancos e outras ‘blue chips’ derrubam Ibovespa, juros caem à espera das decisões do Copom, Fed

Postado por: TC Mover em 31/07/2019 às 13:04

O mercado de renda variável brasileiro opera em queda no final da manhã desta quarta-feira, assim como os índices lá fora, demonstrando a postura defensiva do investidor diante das duas decisões de juros que serão divulgadas hoje, do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, além das idas e vindas das conversas comerciais entre Estados Unidos e China. Nesse cenário, o Ibovespa atinge o menor patamar desde o início de julho, tendo chegado a 102.032 pontos na mínima hoje, puxado pelas ações mais líquidas do índice – como bancos, Ambev e Vale. Cada vez mais membros experientes do TC e gestores recomendam para o investidor focar nas ações e nos setores menos populares. Será que chegou o momento de ser seletivo? O cherrypicking está ganhando tração, com empresas de setores cíclicos e que se beneficiam de juros menores andando bem.

 

Hoje, todo o foco é nas decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. Apesar de o consenso ser de que vai haver corte tanto aqui como lá, há incertezas: de qual tamanho será a redução? Quão unânime serão as decisões? Que sinalizações as autarquias darão quanto ao rumo da economia nos dois países? Tudo isso deixa o investidor mais cauteloso. Espera-se que o Comitê de Política Monetária do Fed, que divulga a decisão às 15h00, corte sua taxa-alvo em 25 pontos-base para uma faixa entre 2,00% e 2,25%. Já no Brasil, ao menos 10 de 14 economistas e gestores consultados pelo TC apostam em uma redução de 25 pontos-base hoje, para 6,25%. A decisão do BC será informada a partir das 18h00. Na B3, os contratos de juros futuros, os DIs, operam majoritariamente em queda, porém com volumes pouco abaixo das médias diárias do ano.

 

Também contribuem para alguma volatilidade os novos capítulos da guerra comercial entre EUA e China. Ontem, o presidente americano Donald Trump tuitou diversos ataques aos chineses – fazendo o investidor se perguntar se ele quer mesmo chegar a um acordo. Hoje, no entanto, a Casa Branca disse que foram produtivas as conversas que ocorreram em Pequim nesta semana com emissários dos dois países e que a China confirmou a compra de mais produtos agrícolas americanos – uma demanda de Trump. Com isso, e ainda a chance de um Brexit sem acordo, as bolsas operam, com exceção de Londres, com viés de alta mundo afora. Em Wall Street, persiste o bom humor de mais cedo, impulsionado pela expectativa de corte da taxa Fed Funds e após os resultados da Apple, divulgados ontem, que vieram acima do consenso. Mesmo assim, os índices Dow Jones Industrials e S&P500 avançam pouco menos de 0,10% cada.

 

No plano local, não ajudam as declarações intempestivas do presidente Jair Bolsonaro nos últimos dias. Analistas políticos dão conta de que até mesmo pessoas do Planalto, incluindo civis e militares, passaram a se incomodar com o comportamento do presidente e temem que que ele ofusque pautas caras ao Poder Executivo, como as da área econômica. E, dizem, não há estrago mais significativo porque os parlamentares estão em recesso. Embora Bolsonaro tenha declarado que não há estratégia envolvida nas declarações, o analista político e membro experiente do TC, Leopoldo Vieira, da IdealPolitik, disse que “a estratégia é exatamente negar a estratégia para que os demais políticos passem por ‘conspiradores’ e ele, como o presidente das ‘pessoas comuns’.” Enquanto o mercado optar por ignorar esses deslizes, tudo bem.

 

O volume projetado para o pregão de hoje na bolsa é de R$11 bilhões, levemente abaixo das médias diárias do ano. O dólar futuro recuava 0,68% ante o real brasileiro na B3, cotado a R$3,774, acompanhando o movimento da moeda no exterior. Entre as companhias, os bancos pesam no índice Bovespa, com Itaú liderando as quedas, ainda na esteira dos comentários do diretor-presidente, Cândido Bracher, ontem, sobre os resultados e as perspectivas de crescimento da carteira e da receita com serviços. Investidores também repercutiram os comentários de Bracher sobre a necessidade de buscar mais eficiência para fazer frente às fintechs, que têm ganhado espaço em segmentos como crédito e prestação de serviços financeiros. Na ponta oposta, ações de setores cíclicos como Lojas Americanas PN e B2W ON lideram as altas, após a criação de uma plataforma conjunta de produtos financeiros e serviços.

 

Entre os demais destaques, Vale ON cai 0,30% com investidores se preparando para o balanço da companhia hoje após o fechamento do mercado. Nem a perda de produção decorrente da tragédia de Brumadinho ou as altas provisões para cobrir os gastos legais e ambientais do acidente devem segurar a lucratividade da Vale, que se apoiou na disciplina nos gastos e o rali do minério para ter um desempenho sólido ao longo do segundo trimestre: o consenso TC espera lucro líquido de R$8,50 bilhões e EBITDA ajustado de R$20,5 bilhões. Finalmente, a ação ON da Lojas Renner, registra a maior queda percentual do índice após informar resultados na noite de ontem que frustraram o consenso, com uma queda de 14% do lucro líquido na base anual.

 

(Foto: Sede do Federal Reserve/ Wikicommons)

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