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Aversão ao risco global, fala de Campos Neto sobre Selic podem testar melhora dos mercados no Brasil

Postado por: TC Mover em 29/05/2019 às 9:17

A disputa entre os Estados Unidos e a China no comércio, na geopolítica e na diplomacia, como dizemos há algumas semanas, não será resolvida de forma permanente ou sustentável no curto prazo. Essa situação incentiva o investidor a se posicionar de forma defensiva na manhã desta quarta-feira, seja pela compra de ativos vistos como seguros, como o dólar e os Treasuries, seja pela redução na exposição a ativos mais arriscados, como os brasileiros. Assim, a madrugada de hoje, no pregão asiático, viu um movimento forte nas duas direções descritas, marcado por uma alta na volatilidade – que voltou a níveis não vistos em quase duas semanas – e uma forte queda nos rendimentos dos Treasuries, que hoje derreteram para seu menor nível em quase 20 meses.

 

Afinal, o investidor está agindo dessa forma, não só por conta da indefinição na guerra comercial, mas pelo fato de que a desaceleração econômica global está cada vez mais evidente e mais difícil de reverter com estímulos de curto prazo. Essa precaução de hoje, segundo gestores consultados pela TC News, se deve a que amanhã será divulgada a prévia das contas nacionais dos EUA, com os dados de crescimento econômico do primeiro trimestre. O número não promete alegrias, pelo que os indicadores antecedentes e a própria temporada de resultados já mostraram. Essa mesma preocupação permeia o sentimento local, no Brasil, onde as chances de um PIB negativo no primeiro trimestre são cada vez maiores – levando o governo do presidente Jair Bolsonaro a acenar para um pacto com os poderes Legislativo e Judiciário para destravar o crescimento.

 

Esse pacto pegou bem e o mercado brasileiro, ontem, mostrou um forte desempenho – especialmente na curva dos contratos de juros futuros, na qual muito prêmio de risco foi enxugado, particularmente nos prazos mais longos. Alguns criticaram o pacto, por achá-lo um símbolo de harmonia e de cooperação entre os poderes que em nada se parece ao ambiente de confronto que reina desde a posse de Bolsonaro, em janeiro. Para outros, Bolsonaro de novo jogou sobre o Congresso e a Justiça a responsabilidade por tirar os entraves que mantém a economia estagnada há uns seis anos. De qualquer forma, os juros reagiram à sinalização de que existe um consenso sobre a necessidade de uma pauta de corte de gastos, de fazer a dívida nacional sustentável e de implementar reformas que equilibrem as contas públicas. Se essa onda – bolsa em alta, juro em queda, dólar recuando – se manter, será um milagre com o cenário mundo afora bem convulsionado.

 

Em relação ao quesito taxa básica de juros, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o debate hoje em torno de um corte adicional na taxa Selic para estimular o crescimento não é trivial. O jornal Valor Econômico disse em uma coluna hoje que, apesar da expectativa de crescimento da economia ter caído, Campos Neto acredita que esse movimento não veio acompanhado de uma queda nas expectativas de inflação nem no curto nem no longo prazo. A fala de Campos Neto deve limitar a correção nos juros futuros desde o ponto de vista fundamentalista: sem ancoragem da inflação, não há como cortar a Selic abaixo dos 6,50%. Ou seja, alguma coisa só acontecerá quando houver uma percepção de menor inflação no longo prazo – por exemplo, se as reformas fossem aprovadas.

 

Para hoje, teremos o relatório de crédito do Banco Central para abril, que pode dar uma ideia a mais em relação à desaceleração econômica. Além do fluxo cambial estrangeiro, haverá dados do índice de preços ao produtor e, à tarde, teremos balanço das finanças do governo central. Mundo afora, serão divulgados pedidos de hipotecas semanal e estoques de petróleo nos EUA. Bolsonaro continua suas reuniões com políticos e bancadas de partidos, assim como com ministros do STF e membros do gabinete ministerial.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas recuavam nesta quarta-feira, estendo a queda de ontem em Nova Iorque, com os investidores pagando mais por ter exposição a ativos mais seguros, como os títulos soberanos e o ouro, em mais uma rodada de aversão ao risco gerada pelo temor de uma desaceleração econômica global pronunciada e tensões comerciais prolongadas. De acordo com Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset, o “dia está sangrento lá fora” com os maiores sinais de alerta emitidos pelos mercados de renda fixa – que preveem crescimento global pífio ou até recessão em algumas das maiores economias do mundo, assim como a abertura de novas frontes de tensão entre os Estados Unidos e a China.

 

Bolsas: O índice pan-europeu Stoxx600 caía 1,35%, enquanto os futuros dos índices S&P500 e Dow Jones Industrials recuavam 0,66% e 0,67%, respectivamente, com investidores apreensivos sobre o curso da guerra comercial e à espera dos dados do PIB americano, que saem amanhã. O índice Xangai Composto fechou em alta de 0,16%, enquanto o Nikkei fechou em queda de 1,22%. O índice VIX, conhecido como índice do medo, subia mais de 6%, acima dos 18,50.

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

BR Distribuidora: A BR Distribuidora aprovou a nova diretoria executiva, indicada pelo presidente Rafael Grisolia. Entre outros, André Corrêa Natal foi nomeado como novo diretor financeiro e de relação com investidores.

 

Bradesco I: Bradesco descumpriu controles em esquema de R$ 1 bi, diz MPF (Valor)

 

Bradesco II: Alessandro Farkuh assumirá Bradesco BBI (Estado)

 

Petrobras: Ministro critica liminar do STF contra TAG (Estado)

 

Caixa: Caixa quer estrangeiro liderando IPOs e fará anúncio em bloco (Estado)

 

Mercados: Mercado de capitais reduz custo do crédito (Valor)

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

09h00 IPP mensal (abril) – IBGE

12h30 Fluxo cambial estrangeiro – Banco Central

14h30 Empréstimos bancários mensal (abril) – Banco Central

14h30 Taxa de inadimplência de empréstimos pessoais mensal (abril) – Banco Central

14h30 Resultado primário do governo central (abril) – Tesouro

 

Indicadores internacionais

04h55 Alemanha – Taxa de desemprego (maio)

08h00 EUA – Pedidos de hipotecas semanal

10h00 EUA – Índice de manufatura Fed Richmond mensal (maio)

18h30 EUA – Estoques de petróleo bruto semanal – API

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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