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Ativos de risco sobem com Hong Kong, mas incerteza persiste; no radar, Previdência, Bolsonaro e Fed

Postado por: TC Mover em 04/09/2019 às 8:46

Os ativos de risco se recuperam na manhã desta quarta-feira, após a líder de Hong Kong, Carrie Lam, retirar a Lei de Extradição que deu início aos protestos no país três meses atrás. O índice HSI da bolsa de Hong Kong fechou em alta de 3,90% e a moeda avançava 0,10% ante o dólar americano na esteira da decisão. Sob forte pressão por conta da iniciativa, que permitiria a deportação de cidadãos cantoneses para a China sob pedido, Lam anunciou a mudança após uma reunião com a classe política local. Ela prometeu revisar a resposta da polícia local aos protestos. Mesmo assim, a chance de uma transição pacífica é remota: ativistas pró-democracia disseram que a demora de Lam impactou fortemente a confiança na autoridade e na atividade econômica no país: “Você cochilou nesses três meses e ignorou as demandas da população”, disse a parlamentar Claudia Mo.

 

Eventos como o de Hong Kong, em que raramente uma turma de cidadãos inconformados desafia com sucesso um gigante como a China, que mantém a cidade-estado em um regime diferenciado, ajudam os mercados no curto-prazo ao dar sustentação ao apetite por risco. No entanto, é evidente para membros experientes do TC, como o investidor Gabriel Rech, que não mude muito o cenário desafiador para a economia global no médio prazo. Por quê?  As incertezas quanto à disputa comercial entre os Estados Unidos e a China devem persistir. Nos mercados, ainda reverberam as declarações do presidente chinês, Xi Jinping, de que o país está preparado para um conflito comercial longo.

 

O premiê Boris Johnson quer convocar eleições gerais no Reino Unido na esteira da derrota do seu plano para acelerar o Brexit, com ou sem acordo. O plano pode empurrar a Grã-Bretanha para um novo governo, ou não. Pode adiar o Brexit e, eventualmente, levar à realização de um novo referendo – ou não. Como vemos, a incerteza continua presente. Isso porque uma nova eleição marcaria mais um episódio do caos que domina a cena política do Reino Unido desde o referendo do Brexit, em junho de 2016, e que já cortou a cabeça de dois primeiros-ministros: David Cameron e Theresa May, esta última dois meses atrás. Com apenas seis semanas no cargo, Johnson está mais perto do abismo do que da glória: ele conseguiu dividir seu partido e perder a liderança no Parlamento – tudo isso, na sua primeira votação importante sobre o tema. Apesar disso, hoje os futuros dos índices americanos e as bolsas europeias avançam, o petróleo sobe e os rendimentos dos Treasuries de dez anos dispararam mais de 3 pontos-base a 1,494%.

 

É provável que no pregão de hoje vejamos menor pressão sobre o Ibovespa, enquanto os juros e o dólar devem olhar, por um lado, para o exterior, e pelo outro, para os dados de PMI composto da Zona do Euro. Dados recentes, como o de ontem da produção industrial doméstica, sugerem que a economia brasileira deve ter um terceiro trimestre de desempenho medíocre. O Itaú já vê contração do PIB entre julho e setembro. Em relação ao câmbio, a incerteza atual dificulta o plano do Banco Central de cortar a taxa básica de juros Selic daqui a duas semanas, pois o estreitamento do juro interno em relação ao externo distorce a formação do preço da moeda e eleva o cupom cambial. Fique de olho no Banco Central, que deve continuar com sua estratégia de vender reservas no mercado à vista, para suprir a deficiência do fluxo cambial e de acesso a linhas externas por parte dos bancos.

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