Ativos brasileiros oscilam à espera de votação dos destaques da Previdência; exterior dá suporte - TradersClub
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Ativos brasileiros oscilam à espera de votação dos destaques da Previdência; exterior dá suporte

Postado por: TC News em 11/07/2019 às 10:44

Os mercados de câmbio, renda variável e juros futuros mostravam comportamento errático no início do pregão desta quinta-feira, repercutindo os temores de que a votação dos destaques do projeto de Reforma da Previdência, que deverão ser apreciados ao longo da manhã, possam diluir de forma significativa a economia fiscal da iniciativa. O investidor ensaia uma leve realização na bolsa, especialmente nas ações menos negociadas nos setores ligados à economia doméstica, e na ponta curta da curva de juros.

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considerado o maior vencedor com a aprovação da Nova Previdência, suspendeu a votação dos destaques na noite de ontem, com sinais de que lideranças dos partidos do centro e da oposição poderiam amenizar o teor da reforma com emendas de alto custo fiscal. Para o analista político da IdealPolitik e contribuidor TC, Leopoldo Vieira, se votadas integralmente, elas reduziriam a economia fiscal da reforma em pouco mais de R$240 bilhões.

 

Maia marcou a sessão de votação dos destaques para hoje cedo, mas a pressão por um adiamento crescia ao longo da noite, de acordo com o relato de uma fonte à TC Mover. Uma demora pode frustrar a aposta do investidor de que a Nova Previdência saia da Câmara para o Senado já aprovada em dois turnos até o dia 17 de julho – último dia antes do recesso parlamentar. No entanto, a passagem da reforma, mesmo que desidratada com as emendas, é notável por ser altamente impopular e apresentada por um governo que se recusou a entregar cargos aos partidos políticos, diz Vieira.

 

O temor com o avanço dos “destaques do mal” era contrabalançado pelo melhor humor do investidor mundo afora: as ações na Ásia fecharam em alta, enquanto os índices na Europa e os futuros das bolsas americanas avançavam, refletindo os sinais cada vez mais claros por parte dos maiores bancos centrais da necessidade de relaxar a política monetária para evitar uma piora nas condições econômicas globais. Porém, indicadores de inflação e seguro-desempregonos Estados Unidos piores do que o esperado revertiam parcialmente as apostas de menores juros, o que também permeava o sentimento do investidor na B3. Hoje, o investidor fica de olho na sabatina do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, perante o Comitê Bancário do Senado americano – para ter mais pistas sobre o rumo dos juros nos EUA.

 

O índice Bovespa recuava 0,26% a 105,545 pontos, com volume projetado para o pregão de R$11 bilhões, em linha com as médias diárias do ano. O Ibovespa futuro, que abriu em alta e apontando para mais uma abertura recorde, zerou ganhos pouco depois do início do pregão à vista na B3. O dólar futuro oscilou ao longo da primeira hora de negociação, e operava em queda de 0,20%, cotado a R$3,7520 por volta das 10h15. Já o comportamento dos juros futuros refletiu não só os temores quanto á votação das emendas da Previdência, mas a deterioração do humor no exterior. O contrato do DI para janeiro próximo subia 1 ponto-base, enquanto o contrato para janeiro de 2025 continuava enxugando prêmio consideravelmente: queda de 4 pontos a 6,820%.

 

“Não está claro se os ativos locais manterão o desempenho estelar que vimos ao longo da semana ou se o mercado ficará mais ligado de que ainda há dificuldades e que é momento de realizar”, disse o chefe de uma mesa proprietária de um grande banco estrangeiro em São Paulo. Para estrategistas do Morgan Stanley, a situação é clara: pouca diluição por conta das emendas deve levar o dólar para os R$3,65 no curtíssimo prazo. Assim, fique de olho nos debates de hoje e no desfecho do segundo turno da reforma.

 

Os bancos lideram as quedas na B3 – os papéis são altamente sensíveis às notícias relacionadas à reforma. Gol PN sobe 1% após adquirir o direito de usos dos horários de pouso e decolagem de voos atualmente detidos pela Avianca Brasil nos aeroportos de Congonhas, Santos Dumont e Guarulhos, no total de US$77,3 milhões. O papel ON da Eletrobras disparou 1,4% após o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, dizer à GloboNews que a União pode arrecadar perto de R$18 bilhões no processo de capitalização da estatal. O início da análise pelo Carf da multa aplicada à Ambev sobre apropriação de ágio, ou declaração de aumento de capital, indevidamente no processo de fusão com a InBev não impactava o papel, que subia 0,5%: a multa poderá chega à R$5,5 bilhões e a companhia vê chance de perda possível.

 

Banco do Brasil recuava 1,6% após iniciar o processo de venda da sua participação no IRB Brasil. IRB Brasil estava em leilão, após despencar mais de 2,5% na abertura. A Light ON avançava 0,10% após matéria do jornal O Estado de S. Paulo dizer que os bancos coordenadores da oferta de ações da companhia elevaram o preço por ação para R$18,09. Petrobras PN subia 0,39%, após Goldman Sachs retomar a cobertura dos papéis com recomendação de compra e preço-alvo de R$41,90.

 

(Foto: Rodrigo Maia no primeiro turno de votação da Previdência na Câmara/ Rodrigues Pozzebom – Agência Brasil)

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