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Atividade frouxa permeia sentimento e bolsas caem; na quarta, fique de olho no Fed, PMIs e Congresso

Postado por: TC Mover em 03/09/2019 às 18:36

Dados de atividade econômica bem abaixo do consenso nos Estados Unidos e no Brasil impactaram o desempenho das bolsas e dos juros futuros, que caíram com a perspectiva, cada vez mais clara, de atuação dos bancos centrais para impedir uma recaída econômica ainda pior. O que assombra os mercados é a capacidade das autoridades monetárias na América do Norte, na Europa e na América do Sul de mudar o quadro rápida e radicalmente: é cada vez menor o número de economistas e gestores que acreditam em um milagre. O mercado de juros futuros tanto nos EUA quanto no Brasil mostra apostas consolidadas de cortes nos juros básicos em 18 de setembro – dia que os BCs de ambos os países se reúnem e divulgam suas decisões. No caso brasileiro, a aposta superou os 68%, após a queda de 0,3% na produção industrial em julho.

 

A equipe econômica comandada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, avalia que agosto deverá ser o “fundo do poço” para a economia. Hoje o Itaú disse que o terceiro trimestre mostrará contração do produto interno bruto. Será? Segundo o secretário de política econômica do ministério, Adolfo Saschida, a atividade só voltará a crescer a partir de setembro. Ele cita a baixa produtividade no Brasil e o cenário externo conturbado como pontos que podem adiar a retomada. No caso americano, os dados do PMI ISM de manufatura puxaram o dólar americano para baixo, dando um alívio ao real. A atividade do BC brasileiro para mitigar a volatilidade e fornecer as tesourarias empresariais e bancárias com mais moeda estrangeira também ajudou. Ontem, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seus pares, tinha atingido a máxima em dois anos.

 

Para amanhã, o ambiente não deve mudar muito. A tensão gerada pelas incertezas quanto à saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, que hoje tirou do Partido Conservador sua maioria no Parlamento britânico, as mensagens de estímulos próximos pelo Banco Central Europeu e a desconexão total entre os governos dos Estados Unidos e da China em relação à guerra comercial persistem hoje e persistirão amanhã. Hoje as commodities sofreram com essas indefinições e puxaram o Ibovespa para baixo: o índice tombou 0,94% aos 99.680 pontos. A queda de hoje foi a pior desde 26 de agosto. Petróleo e minério, assim como o preço do cobre, derreteram. Dessa forma, bancos – sempre as ações mais líquidas do índice e as que mais sofrem em dias de ceticismo, — assim como a Vale e siderúrgicas, lideraram as quedas de hoje.

 

O Ibovespa tentou, sem muito sucesso, descolar nos primeiros minutos do pregão da tendência predominante de baixa em Nova Iorque. O Dow Jones passou o dia inteiro no vermelho e fechou em queda de 1,08%. É por isso que o mercado local continua de olho no que acontece no exterior: amanhã será um dia cheio de eventos do Federal Reserve – e o investidor quer saber se a autarquia sinalizará, de uma forma mais concreta, se há espaço para uma redução na taxa Fed Funds daqui a duas semanas. O ambiente, no entanto, não deve melhorar sem um sinal mais firme de que emissários americanos e chineses se reunirão de novo – conversas originalmente estavam marcadas para esse mês, em Washington. O volume de negociação de hoje na bolsa paulista atingiu quase R$11 bilhões – em linha com as médias diárias do ano.

 

No âmbito corporativo, o investidor reagiu às muitas sinalizações que vieram do Investor Day do Itaú Unibanco, em São Paulo. O co-presidente do conselho, Roberto Setubal, está atento às transformações no sistema financeiro, mas não acha que o Itaú deva virar “um conglomerado de fintechs”. Isso tem impulsionado a aparição de mais vendidos no papel – fato raro há uns anos. O irmão dele, Alfredo, que preside a holding de investimentos Itaúsa, disse que há análises avançadas em pelo menos 15 ativos para possível compra; a Itaúsa, que cuida dos investimentos ex-Itaú das famílias que controlam o maior banco da América Latina, está de olho em privatizações. Será que o Itaú pode se tornar uma grande holding de serviços financeiros? A conferir. Enquanto isso, a adesão ao plano de demissão voluntária do Itaú, que tem sete mil funcionários elegíveis, está acima do esperado.

 

A Ultrapar foi destaque de alta na sessão de hoje, subindo 2,35%, após dados indicarem que a subsidiária Ipiranga aumentou fatia de mercado em julho. A Oi ON subiu mais de 5% após obter aprovação da Justiça para a transição no comando, segundo O Globo. Traders citaram rumores de que a Lei das Teles pode ser votada na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado na próxima semana. Para amanhã, mantenha-se atento ao Twitter do presidente americano Donald Trump, que voltou a criticar o Fed. Os EUA divulgam dados de pedidos de hipotecas MBA semanal, o saldo consolidado da balança comercial de julho e estoques de petróleo bruto semanal. O Fed divulga o Livro Bege, a pesquisa mais ampla sobre a atividade econômica do país. Os diretores do BC americano John Williams, Neil Kashkari e Charles Evans fazem discursos – será que falam dos juros?

 

No plano local, deve haver alguma reação à votação da proposta de emenda constitucional da cessão onerosa, a chamada PEC 98, em dois turnos, programada para hoje. Essa expectativa puxou os papéis da Petrobras ON e PN para cima 0,50% e 1,19%, respectivamente. A aprovação abre passo para que a estatal seja ressarcida pela negociação da cessão quase dez anos atrás. O relator da Reforma da Previdência na CCJ do Senado, senador Tasso Jereissati, apresenta o complemento de seu voto original em sessão às 09h00. Após a leitura, os senadores discutem o texto e votam, o que pode ir até o fim da tarde. No campo dos indicadores, pela manhã, serão divulgados dados de PMI composto e de serviços mensais. À tarde, o Banco Central informa o índice de commodities, IC-Br, de agosto e o fluxo cambial semanal.

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