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Ata do Copom, conselho do governo e polêmica com CPMF marcam pregão; no radar, Odebrecht, Via Varejo

Postado por: TC Mover em 17/12/2019 às 9:27

O otimismo global pela assinatura do acordo comercial parcial entre os Estados Unidos e a China atingiu um pico e os ativos de risco recuam na Europa, apontando para aberturas em queda nas bolsas americanas e na brasileira. Pela primeira vez em mais de uma semana, o catalisador dos mercados locais de renda fixa, câmbio e bolsa pode ser de natureza doméstica: por um lado, o Banco Central divulga a ata da mais recente reunião de política monetária, na qual foi decidido corte da taxa básica de juros Selic em meio ponto percentual para 4,50%, e quando o banco deixou um tom de cautela quanto ao atual estágio do ciclo. Por outro, há reunião do Conselho de Governo cedo nesta terça-feira, com a participação do presidente Jair Bolsonaro, que ontem acumulou mais uma polêmica ao sugerir que analisava a volta de tributo nos moldes da antiga CPMF. O mercado virou e fechou em queda com a notícia. Outros eventos para você ficar de olho incluem o leilão conjugado de dólar e swap reverso do BC, além da oferta de leilão de linha de até US$1,25 bilhão. No lado corporativo, destacam-se a reunião da Via Varejo com investidores, assim como a precificação das ofertas subsequentes de ações da Unidas e da Marfrig.

 

O mercado acionário pode reagir às declarações encontradas do presidente Jair Bolsonaro e seu porta-voz quanto à possibilidade de uma cobrança sobre pagamentos – reedição de um imposto nos moldes da extinta CPMF. Primeiro Bolsonaro disse que “todas as cartas estão na mesa” quanto à análise do projeto, enquanto o porta-voz Otávio Rêgo Barros confirmou as declarações do presidente para poucos minutos depois se retratar. É este tipo de trapalhada que impacta a confiança na capacidade do governo de gerir a atual retomada sem maiores solavancos. O investidor decidirá se o retorno do imposto é um avanço ou um retrocesso, mas a mudança de ideias e a demora do governo em achar uma alternativa ao tributo e, especialmente, as atitudes contraditórias de Bolsonaro, que poucos meses atrás ceifou a cabeça dos que defendiam a cobrança é um péssimo sinal para o empresário. Em entrevista à Veja, o ex-secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, que foi demitido em setembro por conta da polêmica com o imposto, criticou Bolsonaro por atrasar a Reforma Tributária.

 

Veja a entrevista de Marcelo Odebrecht, o empresário mais chegado ao governo do PT, preso por dois anos e cinco meses em Curitiba e condenado a mais de 30 anos de cadeia por corrupção no âmbito da Lava Jato. Nunca um empresário tão poderoso havia sido alvo de uma ação tão dura. Em meio à disputa familiar que derrubou o presidente do grupo da família, na noite de ontem, ele disse que “a crença de que os fins justificam os meios foi um grande pecado”. Referindo-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também condenado, Odebrecht chamou-o de “verdadeiro chefe de torcida”. Pouco antes da assembleia dos credores que irá definir o futuro da Odebrecht e da Braskem, a construtora definiu Ruy Sampaio, atualmente no cargo de presidente do Conselho de Administração, como o novo presidente da empresa. A indicação foi feita por Emilio Odebrecht, patriarca da construtora, e, segundo o jornal O Globo, trata-se de uma tentativa de restringir a influência do filho, Marcelo, na companhia. Segundo o Valor Econômico, a juíza Luciana Tolentino de Moura pediu para que o procurador federal responsável pela multa de R$21 bilhões sobre a JBS refaça o pedido por conta da prolixidade exagerada da documentação.

 

(Foto: Marcelo Odebrecht – DPA)

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