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Apetite ao risco melhora mundo afora, enquanto investidor pondera risco político no Brasil

Postado por: TC Mover em 21/05/2019 às 8:43

As bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos avançavam na manhã desta terça-feira, com sinais de que a turbulência que impactou os mercados globais desde começo do mês perde intensidade. Muitos ativos considerados de risco, como ações e títulos brasileiros, despencaram ao longo de maio, primeiro com o recrudescimento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, depois com a aparente falta de compromisso entre as duas nações para chegar a um acordo e, recentemente, com o acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

 

A mais recente fase da guerra comercial, a perseguição americana à gigante chinesa de tecnologia Huawei, mantém a tensão dos mercados à flor da pele. Hoje o investidor reage de forma positiva à decisão do governo americano de dar uma licença de três meses que permitirá às empresas americanas continuarem fazendo negócios com a Huawei – favorecendo os atuais usuários de telefones celulares da empresa e as redes rurais de banda larga nos EUA. Fumaça branca? Ainda é cedo para saber, mas a leitura é positiva para os ativos de risco – o VIX recuou no pregão asiático e o iuan se fortalecia levemente ante o dólar americano na manhã de hoje.

 

O assunto da Huawei é complexo. Mesmo com a concessão americana de dar um tempo para a Huawei, a China deve retaliar, se os comentários do embaixador chinês nos EUA fossem usados como sinal do que deve vir: o veto americano à Huawei “é um comportamento errado que acarretará uma resposta recíproca”, disse Zhang Ming à Bloomberg News, descrevendo a ação como politicamente motivada. O impacto das ações da Casa Branca contra a Huawei reverberou, atingindo os papéis de fabricantes globais de componentes e alimentando mais angústia com o destino da guerra comercial. Disputas de poder ou influência desta magnitude o mercado não esperava – e vamos ter que viver com elas por um tempo.

 

Disputas de poder também são motivo de preocupação no Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro ontem negou um embate com o Congresso que é mais do que evidente. Com mais de cinco meses no poder e sem nenhuma iniciativa legislativa da sua autoria aprovada no Congresso, em parte por conta da sua brilhante ideia de não ter base de apoio no Parlamento, Bolsonaro se mostra acuado e, para não ser atropelado, eleva sua retórica beligerante. Na véspera, combinou um discurso de ataque à classe política e de elogios ao Congresso que o mercado aprovou, mas que deixa todo mundo confuso. O investidor aposta que a disputa entre os dois poderes prova que tanto governo quanto Congresso estão engajados na aprovação da reforma da Previdência e que não deixarão outros projetos prioritários, como a reforma administrativa, naufragar em meio à disputa. Cuidado!

 

O investidor precisa entender que a atitude de Bolsonaro, assim como o viés oportunista do Congresso, são riscos à frente que precisam ser levados em conta no momento de apertar o botão de compra. Enquanto Bolsonaro der ouvidos a quem lhe disse que precisa flertar com a polarização e o caos institucional, demonizando a classe política e os altos tribunais, o temor que se instalará é sobre o que acontecerá depois de aprovada a Nova Previdência – isso, se for aprovada.

 

A agenda econômica desta terça-feira traz a leitura preliminar do sentimento do consumidor na zona do euro e números do setor imobiliário norte-americano. Teremos o segundo dia de leilões de linha do Banco Central, com oferta de US$1,25 bilhão, pouco depois do meio-dia. Fique de olho na bateria de reuniões de Bolsonaro – com seu conselho de governo, com os ministros Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes, com um ministro do TCU, com evangélicos, com um senador do seu partido. Que o diálogo constante permita ao governo restabelecer as pontes com os outros poderes para dar um gás na aprovação de pautas relevantes para o país.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

Os índices acionários nos mercados europeus e os futuros das bolsas americanas subiam nesta terça-feira, com investidores ponderando com cautela a notícia de que os Estados Unidos permitirão temporariamente que a gigante chinesa Huawei mantenha relações comerciais com empresas norte-americanas – um leve sinal de arrefecimento na guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

 

Bolsas: O índice pan-europeu Stoxx600 mostrava alta de 0,52% às 06h50, puxado principalmente pelas ações do setor de tecnologia. Os futuros dos índices S&P500 e Dow Jones subiam 0,47% e 0,41%, respectivamente, apontando para uma abertura em alta, com o investidor um pouco mais aliviado após o anúncio da licença. O índice Xangai Composto fechou em alta de 1,23%, enquanto o índice VIX recuava 5,27%, mostrando maior apetite por risco hoje.

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

Petrobras I: Naufrágio pode atrasar projeto da Petrobras (Valor)

 

Petrobras II: Safra iniciou cobertura das ações preferenciais da Petrobras com recomendação de compra por alta geração de caixa e múltiplo atrativo. Não vê privatização iminente e cita ingerência em política de preços como fator de risco. Preço-alvo para o papel ON é de R$33,40 e R$31,8 para o o PN.

 

Vale: Secretário aponta chance de até 15% de barragem da Vale se romper em Minas (Reuters)

 

Sinqia: A antiga Senior Solution informou que comprou a Softpar por R$32 milhões, sendo R$18 milhões em pagamento à vista e o restante em cinco parcelas anuais.

 

Magazine Luiza: BB Investimentos elevou a recomendação das ações da Magazine Luiza para o equivalente a compra, após os resultados do primeiro trimestre acima do consenso terem trazido mais evidência de que a maior varejista brasileira de eletroeletrônicos por valor de mercado deve continuar crescendo em ritmo acelerado e aumentando participação de mercado perante os concorrentes. O preço-alvo do papel passou de R$193,40 para R$194,40.

 

Banco Inter: Clientes do Banco Inter reclamaram de problemas acessando o aplicativo ao longo desta segunda-feira. Ontem, o BTG Pactual iniciou a cobertura do papel PN do banco digital, com recomendação de compra e preço-alvo de R$77.

 

Via Varejo: A dona da Casas Bahia firmou um acordo de conciliação de R$4,5 milhões por dano moral coletivo por irregularidades relacionadas à prática de assédio moral em Campinas.

 

Azul: O fundo norte-americano Elliott Management é contra o novo plano da Azul para comprar algumas das rotas operadas pela Avianca Brasil por US$145 milhões, segundo documento visto pela Reuters.

 

Raia Drogasil: A Raia Drogasil informou que a Superintendência do Cade aprovou sem restrições a aquisição do capital da Drogaria Onofre. O processo está sujeito a eventual recurso ou avocação pelo tribunal no prazo de 15 dias. A conclusão da operação está prevista para 1° de julho.

 

Agenda do dia

 

Indicadores internacionais

11h00 EUA – Vendas de casas usadas mensal (abril)

11h00 EUA – Vendas de casas usadas (abril)

11h00 UE – Prévia da confiança do consumidor (maio)

18h30 EUA – Estoque de petróleo bruto semanal – API

20h50 Japão – Balança comercial (abril)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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