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Anúncio de saques do FGTS e BR Distribuidora impulsionam bolsa; quinta terá dados de emprego e reunião do BCE

Postado por: TC Mover em 24/07/2019 às 17:49

O índice Bovespa fechou em alta nesta quarta-feira, impulsionado pelas ações ON da BR Distribuidora, que disparam após a Petrobras ter deixado, ontem, o controle da companhia. Também pesou a favor o anúncio oficial da liberação de saques do FGTS e do PIS/Pasep, feito nesta tarde. Ao todo, devem ser injetados R$30 bilhões na economia neste ano e mais R$12 bilhões em 2020, dando algum fôlego à demanda doméstica. A estimativa do Ministério da Economia é de que, em um período de 12 meses, as mudanças gerem um crescimento de 0,35 ponto percentual no PIB.

 

O limite imediato de saque será de R$500 por conta ativa e inativa, conforme afirmou mais cedo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o que não necessariamente trará um impacto grande, já que a maioria dos trabalhadores tem um valor baixo depositado. Quando o ex-presidente Michel Temer liberou o saque total das contas inativas, mais da metade dos beneficiados tinha até R$500 para sacar e 80% tinha menos de R$1.500. Desta vez, 106 milhões de pessoas devem ser beneficiadas, segundo o presidente da Caixa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou também a criação de um saque-aniversário: a partir de 2020, haverá a possibilidade de sacar, anualmente, um percentual do saldo.

 

Em Nova Iorque, as bolsas operaram mistas, com os investidores ponderando as notícias mais auspiciosas sobre as conversas comerciais entre os Estados Unidos e a China e a enxurrada de resultados corporativos que trouxe prejuízo inesperado da Boeing e dados fracos da Caterpillar. As ações das duas companhias caíram, pesando sobre o índice Dow Jones Industrials, que fechou com queda de 0,29%, depois que a fabricante de máquinas divulgou guidance de lucros no piso do consenso e a Boeing alertou que poderia parar a produção do avião 737 Air Max se a suspensão de voos do jato persistir.

 

Nesse contexto, o Ibovespa retomou o patamar dos 104 mil pontos e fechou em alta de 0,40%, a 104.119 pontos, com destaque para Cielo, que subiu 12,89%, apesar dos resultados que frustraram os consensos no segundo trimestre, com investidores na expectativa por uma recuperação da companhia. BR Distribuidora também teve uma alta expressiva, de 1,19%. O dólar futuro recua, em linha com a queda da divisa no exterior, e os juros caem em bloco.

 

O destaque desta quinta entre os balanços será a divulgação dos números do Bradesco e da Ambev. O segundo maior banco privado do país deve mostrar lucro recorrente de R$6,46 bilhões, alta de 8% na base sequencial, e um retorno sobre o patrimônio de 20,6%, impulsionado pela alta na margem financeira e na receita de seguros, um custo de risco menor e uma melhora na qualidade da carteira. Fique de olho no desempenho da margem de tesouraria, que pode mostrar fortes ganhos com o achatamento da curva de juros longa. No caso da Ambev, o investidor espera crescimento acima de 2% nos volumes e lucro de R$2,33 bilhões. A base de comparação é fraca por conta da greve dos caminhoneiros. A empresa deve mostrar ganhos de fatia de mercado nos segmentos premium e value, que podem ser ofuscados pelos maiores custos do alumínio no trimestre.

 

Amanhã, o evento do dia mundo afora será a reunião para decisão de juros do Banco Central Europeu, a penúltima antes da saída de Mario Draghi do comando da autarquia. O BCE deve sinalizar que utilizará quaisquer instrumentos que forem necessários, inclusive um corte na taxa básica de juros no futuro próximo, para que a Zona do Euro escape da recessão. O consenso aponta que Draghi e seus colegas manterão a taxa básica em 0% e a de facilidade permanente de depósito em -0,40%. A novidade, destacam, é a provável mudança no viés de política monetária – o que facilitaria uma redução em sua reunião de setembro. Assim, bancos como Barclays e Deutsche Bank esperam que, em setembro, o BCE corte a taxa de depósito de -0,4% para -0,5% e relance as compras líquidas de ativos. A decisão é esperada por volta das 08h45; às 09h30, Draghi falará em coletiva.

 

No plano local, é esperada para a parte da manhã a divulgação do saldo de empregos formais de junho, medido pelo Caged. O Banco Central divulgará o investimento estrangeiro direto em junho e as transações correntes mensais. Além disso, a Fipe informa o IPC semanal de julho.

 

(Foto: Paulo Guedes/ José Cruz-Agência Brasil)

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