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Alívio no exterior pode permear parcialmente pregão brasileiro; foco se centra na política, Nova Previdência e leilão de linha do BC

Postado por: TC Mover em 26/06/2019 às 8:37

Os desentendimentos entre governo e Congresso e as deliberações inesperadas nas altas instâncias do poder Judiciário, que agregam mais incerteza nos negócios, abriram espaço para a forte realização de lucros de ontem no mercado doméstico. Na reação mais violenta, os contratos de juros futuros voltaram a embutir mais prêmio, inicialmente por conta da falta de sinalização pelo Banco Central do Brasil e, depois, pelo Federal Reserve de cortes de juros iminentes. 

 

Depois o maior risco político fez sua parte, com a possibilidade de adiamento da votação do texto da Reforma da Previdência na comissão especial da Câmara e no julgamento de habeas corpus para soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – visto como forte opositor da reforma e figura ainda popular na política. A aversão ao risco que vimos na terça-feira não deve se repetir de forma tão intensa hoje, mas ela deve ficar no inconsciente dos investidores: o quarto dia de debates da reforma na comissão especial está deixando o mercado mais ansioso e, mesmo se houvesse uma demora de dois ou três dias – que, para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não muda em nada a perspectiva de aprovação da iniciativa – deixa o calendário de tramitação ainda mais apertado para a aprovação do projeto antes do recesso parlamentar.

 

No entanto, dois pontos podem dar um impulso aos negócios na B3. O primeiro, o alívio que causa ao mercado a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal de manter Lula preso, adiando para agosto o julgamento sobre a conduta do seu juiz na Operação Lava Jato, e agora ministro da Justiça, Sérgio Moro. Solto, Lula pode se tornar uma pedra no sapato dos planos do presidente Jair Bolsonaro de ajustar as finanças públicas – chame-se, aprovação de reformas e avanço das privatizações. Ontem, a bolsa acelerou perdas e o dólar ultrapassou os R$3,85 com o temor de ver “Lula livre”. 

 

O outro assunto? As inusitadas e, em teoria, positivas declarações do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, trouxeram uma dose de esperança quanto à solução da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Os mercados globais entravam hoje no quarto dia de desempenho fraco pelo temor de que a reunião entre os presidentes americano Donald Trump e chinês Xi Jinping, programada para o fim de semana, não resolveria a disputa. No entanto, Mnuchin disse à cadeia CNBC que os dois países têm “cerca de 90% do caminho percorrido e vejo mais espaço para alcançarmos um acordo,” sem detalhar o que os 10% finais de um acordo envolveriam, nem quais os pontos críticos para completar um acordo.

 

As bolsas europeias e os futuros dos índices americanos reagiram bem à fala, assim como as commodities e os ativos de risco. Mesmo assim, os ETFs das ações de mercados emergentes ainda recuam – sinal de que o dia não será fácil para nossa classe de ativo. Com a cena política ainda ditando o rumo dos negócios locais, fique de olho nos números do mercado de crédito para maio, o leilão de linha de US$1 bilhão do BC – que visa a aliviar a suposta escassez de moeda estrangeira no mercado a vista – e as negociações em torno da Nova Previdência. O presidente Jair Bolsonaro viaja hoje para a reunião do G-20 no Japão.  

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

As bolsas e as commodities retomaram as altas na manhã desta quarta-feira, após um início fraco na Ásia, após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, dizer à CNBC que um acordo com a China está “90%” pronto. As bolsas amargavam quatro dias de desempenho fraco, por temores de que a reunião entre Trump e Xi não traria nenhuma solução palpável à disputa comercial que se alastra por quase 15 meses. Mnuchin se mostrou confiante de que Trump e Xi possam avançar nas negociações, em meio à cúpula do G-20 neste fim de semana. 

 

 Bolsas: Os futuros dos índices Dow Jones e S&P500 aceleravam os ganhos para 0,44% e 0,50% por volta das 07h20, após um começo fraco no pregão europeu. A fala de Mnuchin reavivou a demanda por ativos de risco, ajudando a tirar o índice Stoxx600 do vermelho, graças ao avanço das ações de bancos, companhias de energia e montadoras. Não que a notícia tenha tirado a cautela completamente do ambiente: as principais bolsas asiáticas recuaram no dia, enquanto os fundos de índices das ações emergentes, incluindo as do Brasil, também perdiam terreno. O ETF iShares MSCI Emerging Markets recuava 0,95% no pré-market em Nova Iorque, enquanto o iShares MSCI Brazil, que replica o índice Bovespa, caía 0,12%. O índice VIX de volatilidade derretia 3% no pregão europeu.

 

Principais notícias corporativas

 

 Aliansce e Sonae Sierra: Acionistas das empresas aprovaram a combinação de negócios entre as companhias, que ainda precisa de aprovação do Cade.

 

 Bradesco: O Bradesco aprovou a renovação do programa de recompra de até 15 milhões de ações de própria emissão para permanência em tesouraria.

 

 Copel: A Copel informou que a Eletrobras transferiu a totalidade das ações que detinha na Uirapuru Transmissora, que custou R$100 milhões à companhia paranaense. 

 

 Petrobras I: Petrobras negocia com Cade sua saída do transporte e da distribuição de gás (Folha) 

 

 Petrobras II: Petrobras realizará nova rodada de ofertas finais para polos Enchova e Pampo (Reuters) 

 

 Fundos: Com maior demanda, FIDC para empresas menores cresce (Valor) 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC semanal (junho) – Fipe

08h00 INCC mensal (junho) – FGV

10h00 Relatório mensal da dívida pública (maio) – Tesouro Nacional

10h30 Saldo de crédito total mensal (maio) – Banco Central

10h30 Taxa de inadimplência de pessoa física mensal (junho) – Banco Central

10h30 Estoque de crédito mensal (junho)

14h30 Resultado primário do governo central mensal (maio) – Tesouro Nacional

14h30 Fluxo cambial semanal – Banco Central

 

Indicadores internacionais

08h00 EUA – Pedido de hipotecas semanal – MBA

09h30 EUA – Núcleo de pedidos de bens duráveis mensal (maio)

09h30 EUA – Pedidos de bens duráveis mensal (maio)

09h30 EUA – Balança comercial de bens mensal (maio)

11h30 EUA – Estoques de petróleo bruto

20h50 Japão – Vendas no varejo anual (maio)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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