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Alerta da Apple prenuncia caos na cadeia global e derruba bolsas; conselho de governo, balanços no radar

Postado por: TC Mover em 18/02/2020 às 9:32

Os futuros dos índices acionários americanos, o petróleo e o cobre recuam na manhã desta terça-feira, enquanto a aversão ao risco ganha tração na esteira do anúncio da Apple de ontem à noite de que não irá atingir sua estimativa de receita para o trimestre, devido ao impacto do coronavírus na China. Era óbvio que com a economia do país praticamente fechada desde meados de janeiro, os lucros das empresas, assim como a cadeia global de produção e fornecimentos seriam afetados negativamente. Mesmo assim, o mercado fez vista grossa às evidências, há dias, sobre a lentidão na retomada da produção de bens intermediários e insumos para o setor de tecnologia, por exemplo. “O que me impressiona é uma reação, apenas agora do mercado”, diz Dan Kawa, gestor e sócio da TAG Investimentos.

 

O movimento mais provável é que rivais sigam a Apple e sejam mais explícitos quanto ao risco gerado pela epidemia de coronavírus. Assim, as bolsas recuavam na Europa, o ouro retomava as altas e os rendimentos dos títulos soberanos dos países ricos caíam na manhã de hoje. O iuan offshore recuou ante o dólar. Tanto nas bolsas de Londres e Frankfurt como seguramente em Nova Iorque, as quedas devem ser lideradas pelo setor de tecnologia. Espere um dia marcado pela cautela – na volta do feriado americano do Dia dos Presidentes e à espera da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, programada para ser divulgada amanhã.

 

A situação com a Apple deixa o panorama para a economia global mais sombrio. As ações da gigante americana de tecnologia caem 3,3% no pré-mercado em Nova Iorque, com os desdobramentos do anúncio de ontem, enquanto os papéis dos fornecedores europeus da empresa também desabam. O alerta ameaça as cadeias de suprimentos em todo o mundo, com as fornecedoras chinesas de peças para iPhone, principal gerador de receita da Apple, estão retomando a produção mais lentamente do que o esperado. Outro ponto negativo é que a demanda chinesa despencou no trimestre, por conta do pedido do governo chinês para o fechamento parcial de lojas comerciais. O mais provável é que continuemos vendo mais revisões de estimativas para baixo. Há dois agravantes na situação da Apple, disse Leite: a primeira é que não temos nova projeção para a receita do trimestre que vem; a segunda, que não sabemos se o lançamento do novo modelo mais barato do iPhone para essa primavera será impactado pelo vírus.

 

(Por: Guillermo Parra-Bernal, Ana Carolina Siedschlag e Vitor Azevedo || Foto: Loja da Apple – PXHere)

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