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Visibilidade sobre provisões da Vale pós-Brumadinho cresce com celeridade de processos

Postado por: TC Mover em 10/05/2019 às 12:18

As ações da Vale recuavam levemente nesta sexta-feira mesmo após a maior produtora de minério de ferro do mundo reiterar que seus custos unitários de produção não vão subir com as paradas e suspensões de produção na esteira do desastre na mina de Brumadinho, e que o processo de indenização de vítimas da tragédia está andando aceleradamente.

 

Na teleconferência de resultados do primeiro trimestre, realizada hoje, executivos da Vale reiteraram que o custo caixa C1, da forma que a companhia o calcula, não deve sentir o impacto das operações dos Sistemas Sul e Sudeste paralisadas pela tragédia. Eles também disseram que a provisão de indenizações pela tragédia apresentada no trimestre passado não inclui custos ambientais nem de danos coletivos e difusos – mas que o processo de reparação das vítimas e das comunidades afetadas está caminhando aceleradamente.

 

Os comentários reforçam a visão de cada vez mais investidores de que a visibilidade em torno do impacto financeiro e operacional da tragédia nas operações da Vale está crescendo, o que leva a uma menor incerteza quanto ao rumo do papel. No ano, a Vale perdeu 5,5% do seu valor, o pior desempenho entre as ações mais líquidas do Ibovespa – com exceção da Suzano – em decorrência da tragédia.

 

 

De acordo com os executivos, é provável que a companhia reduza a projeção de custo médio C1 nos próximos meses, para um nível menor do que o registrado em 2017, disse o diretor financeiro, Luciano Siani. Ele vê um suporte claro de curto prazo para os preços do minério de ferro e para os chamados blends brasileiros, ou tipos de minérios finos exportados desde o país, sinalizando que os prêmios praticados devem permanecer nos patamares atuais por mais um tempo. Deve demorar entre dois e três anos a mais para a Vale atingir sua meta anterior de produção, de 400 milhões de toneladas por ano.

 

Essa situação deve manter o mercado de minério de ferro sob pressão, especialmente em meados do ano, disseram analistas do UBS em nota a clientes. A Vale registrou o primeiro EBITDA negativo da sua história em razão do impacto financeiro de R$19 bilhões oriundo da tragédia, além do menor volume de vendas de minério por interrupções de produção pelo desastre. O prejuízo líquido da companhia atingiu R$6,42 bilhões no trimestre, enquanto o consenso TC News apontava para ganho de R$2,61 bilhões. O EBITDA ajustado – indicador que mede o lucro operacional – ficou negativo em R$2,79 bilhões, ante consenso de resultado positivo de R$4,81 bilhões.

 

“Ainda vemos alguns riscos relacionados à falha na barragem de rejeitos de Brumadinho, como o impacto nos embarques, o pagamento referente a litígios e os investimentos a serem realizados para recuperar a área danificada,” diz o analistas Gustavo Sadka, da Safra Corretora. “No entanto, a Vale apresentará fortes valores principalmente em função dos maiores preços do minério de ferro” no segundo trimestre, disse.

 

O papel perdia 0,35% do seu valor no pregão desta sexta-feira, perto das 11h30, a R$48,30 – perto do seu pior patamar desde final de março. O volume de hoje projetado para a ação é de R$1,8 bilhão, maior desde final e janeiro.

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