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Vale frustra consenso, mas tendências, EBITDA vêm empolgantes; provisões despencam

Postado por: TC Mover em 24/10/2019 às 20:42

A Vale reportou lucro líquido que frustrou o consenso no terceiro trimestre, mas tendências de queda no custo unitário de extração do minério, assim como um mix mais favorável e uma geração de lucro operacional recorde para o período, sugerem que a maior produtora de minério de ferro do mundo está superando os efeitos do pior acidente da sua história.

 

Em fato relevante divulgado na noite desta quinta-feira, Vale disse que o lucro líquido atingiu US$1,6 bilhão no trimestre passado, alta de 17% na base anual, porém abaixo do consenso de US$2,66 bilhões colhido pelo TC. O aumento se deveu à forte redução nas provisões relacionadas à ruptura da barragem de Brumadinho, à descaracterização da barragem de Germano e à Fundação Renova – todas reconhecidas no trimestre anterior. Os resultados indicam que a Vale se beneficiou dos melhores volumes e da normalização de custos e despesas quanto às operações interrompidas.

 

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conhecido como EBITDA ajustado, cresceu 6% na base anual para US$4,603 bilhões – o maior número para um terceiro trimestre, mas abaixo do consenso de US$5,33 bilhões. A receita líquida no período atingiu US$10,217 bilhões, alta de 7% na base anual e abaixo da projeção de US$11,75 bilhões.

 

O destaque foi a série de indicadores operacionais que sugerem que a Vale, mesmo lidando com os impactos de acidente, está se tornando mais produtiva, mais eficiente e mais segura. O custo caixa C1 de finos de minério de ferro alcançou US$15,3 a tonelada no trimestre, queda na base anual por conta da diluição de maiores volumes. No trimestre, a Vale incorreu em despesas que não se qualificam como provisão, no valor de US$225 milhões – uma fracção do que fez três meses atrás. O preço CFR/FOB realizado da Vale totalizou US$89,2 por tonelada, bem acima dos US$67 um ano atrás, mesmo com a elevada volatilidade dos preços no trimestre junto a uma menor curva de preços futura. O maior peso dos finos de 65% de pureza no mix de vendas garantirá melhores receitas no futuro, disseram traders. E o fluxo de caixa operacional do terceiro trimestre ultrapassou a soma do total de primeiro semestre.

 

O papel caiu 0,76% a R$46,75 hoje. A companhia está avaliada a 3,8 vezes o lucro operacional anual – uma fração do chamado múltiplo EV/EBITDA das suas concorrentes, e a 5,7 vezes o lucro esperado para esse ano. Amanhã, a administração da companhia deve explicar os resultados em teleconferência com investidores às 10h00. (GPB)

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