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Processo de fundos contra a Vale pode ter sido fator pelo qual papel não disparou com rali do minério

Postado por: TC Mover em 17/07/2019 às 9:54

Desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro, as ações da companhia mostraram um desempenho inferior em relação às das principais concorrentes, por conta da incerteza quanto a possíveis despesas de reparação, maior regulação e processos judiciais decorrentes da tragédia. Mas, para membros experientes do TC, uma outra querela inesperada, relacionada ao caso de Brumadinho, pode ter ajudado a segurar o papel, mesmo com o rali que elevou o preço do minério de ferro – o principal produto da Vale – a cotações recordes em semanas recentes.

 

No início deste mês, 25 gestoras independentes e alguns fundos de pensão iniciaram uma arbitragem na B3 contra a Vale, citando supostos prejuízos decorrentes da desvalorização das ações da companhia após o desastre. Segundo matéria do Valor Econômico desta quarta-feira, a petição inicial prevê compensação aos investidores devido à falta de transparência sobre as condições da barragem. O artigo não trouxe uma estimativa do montante que a Vale seria obrigada a pagar caso seja considerada responsável.

 

Membros do TC Master, a comunidade de investimentos exclusiva do TC, questionavam-se se os rumores dessa arbitragem, similar a uma class action lawsuit nos Estados Unidos, não teriam segurado o preço das ações da companhia no último mês. Enquanto a cotação do contrato futuro do minério se valorizou 14% desde 18 de junho, e a do spot no porto de Qingdao quase 20%, a ação da Vale só avançou 2,4%.

 

“Parece que finalmente sabemos o que segurou esse papel desde que o rali do minério na China começou,” disse o membro experiente do TC e trader, Rafael Ferri. Do dia 24 de janeiro até sexta passada, as ações da BHP e da Rio Tinto, segunda e terceira maiores produtoras do mineral, se valorizaram 22% e 21%, respectivamente; no mesmo período, o minério subiu mais de 60%, mas o papel da Vale cedeu 5%.

 

Como aponta o membro experiente do TC e sócio e gestor da Garin Investimentos, Ivan Kraiser, a falha de controles internos sobre a operação, os erros na governança e a dificuldade de elucidar as dúvidas dos investidores sobre as causas do acidente estão custando caro e devem seguir penalizando a Vale pelos próximos meses. Mesmo assim, alguns analistas dizem que os riscos judiciais e reputacionais estão começando a desaparecer: na segunda-feira, o Ministério Público do Trabalho divulgou acordo com a Vale para ressarcir os familiares das mais de 300 vítimas do acidente, que elevou o custo das indenizações além dos R$17 bilhões já provisionados no balanço da companhia.

 

(Foto: Vale/ Divulgação)

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