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Pouca visibilidade sobre baixas contábeis deve marcar pregão da Vale após lucro surpreender 

Postado por: TC Mover em 28/03/2019 às 10:19

Vale ainda avalia a magnitude dos passivos contingentes decorrentes da ruptura da barragem em Brumadinho e deverá fazer provisões para o balanço deste trimestre, o que pode marcar o desempenho das ações da maior produtora de minério de ferro do mundo no pregão desta quinta-feira, de acordo com gestores e contribuidores TC.

 

Nas notas explicativas do balanço do ano passado, divulgadas na noite de quarta-feira, a mineradora disse que vai fazer a baixa dos ativos da mina e das barragens a montante Brasil afora, o que irá resultar em um prejuízo de R$480 milhões, com impacto negativo no balanço patrimonial e na demonstração dos resultados. Esse número se soma aos R$850 milhões acertados previamente com o Ministério Público do Trabalho quanto a indenizações e outros encargos trabalhistas.

 

Em uma apresentação divulgada na manhã de hoje, a companhia disse que as multas aplicadas pela Justiça e o governo relacionadas ao desastre em Brumadinho totalizam R$349 milhões, e que elevou sua dívida líquida em R$7,2 bilhões para fazer frente a R$16,55 bilhões de bloqueios de recursos ordenados pela Justiça por conta do acidente.

 

A Vale mostrou lucro acima do consenso no quarto trimestre, refletindo uma alta na produção, na venda e nos preços realizados do minério, além de ganhos com derivativos cambiais. A companhia reiterou que o pagamento de proventos continua suspenso por conta da tragédia na mina, que aconteceu quase um mês após o final do período. O lucro líquido da maior produtora de minério de ferro do mundo atingiu R$14,485 bilhões, quase cinco vezes os ganhos no mesmo trimestre de 2017 e acima do consenso de R$9,98 bilhões.

 

O foco do investidor deverá estar nos anúncios que a companhia possa fazer em relação ao desastre de Brumadinho – quaisquer comentários da gestão sobre a situação legal, operacional e reputacional da Vale após o pior acidente na história da companhia, que deixou mais de 300 mortos, devem levar o investidor a ter uma maior visibilidade sobre a produção e os embarques de minério de ferro, assim como as tendências de preço do mineral para este ano.

 

“Foi um bom resultado, exatamente em linha com nossas expectativas, mas a empresa não divulgou mais detalhes relacionados ao acidente em termos de custos e provisões”, afirma o analista do Santander, Gustavo Allevato.

 

A receita líquida passou de R$29,8 bilhões um ano atrás para R$37,445 bilhões, abaixo do consenso de R$38,6 bilhões. Já o EBITDA ajustado da mineradora chegou em R$17,059 bilhões no trimestre, alta anual de 27%, mas também abaixo do consenso de R$17,9 bilhões. A diretoria deve explicar os números e os detalhes sobre o provisionamento de eventuais passivos contingentes em teleconferência na manhã de quinta-feira.

 

Desde o acidente, em 25 de janeiro, o papel da Vale perdeu quase 12% – ele se recuperou após uma queda de mais de 27% nas duas semanas após o desastre. Ontem a ação ON recuou 1,35% a R$49,60.

 

(Foto: Vale/Divulgação)

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