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’Perdoa e esquece’: balanço da Via Varejo foi ruim, mas foque na reviravolta, inquérito, dizem analistas

Postado por: TC Mover em 14/11/2019 às 12:30

Por: Guillermo Parra-Bernal, editor sênior, TC Mover

 

A Via Varejo teve um terceiro trimestre para esquecer, mas alguns aspectos qualitativos, como a queda nos estoques, a melhora das vendas de e-commerce e maior estabilidade da plataforma digital, fazem pensar que a reviravolta das operações da maior varejista de eletroeletrônicos do país está acontecendo, disseram analistas nesta quinta-feira. No entanto, eles recomendam que o investidor fique de olho na suspeita de possível fraude contábil.

 

Para analistas do Bradesco BBI, Credit Suisse, BTG Pactual e XP, o balanço trimestral da varejista foi impactado pelo desempenho particularmente negativo em agosto, que de acordo com os comentários da empresa teve a ver com problemas de desestocagem e integração de plataformas. A Via Varejo teve prejuízo líquido de R$244 milhões no trimestre, ampliando o prejuízo sofrido um ano antes, na esteira de queda na receita, vendas mesmas-lojas e forte expansão no segmento de marketplace, embora com uma base baixa.

 

Dessa forma, o investidor deve focar no progresso da reviravolta implementada pelo novo acionista controlador da companhia, Michel Klein, que inclui renegociações comerciais mais vantajosas com fornecedores, novos incentivos para o time de vendas nas lojas, os esforços para estabilizar a queda nas vendas online e de estoque próprio. De igual forma, o investidor foi pego de surpresa com a apuração, por parte da companhia, de denúncias anônimas de irregularidades contábeis.

 

A ação, que abriu em queda nesta quinta, sobe 0,43%, a R$7,05, por volta das 10h45. Para gestores e membros da comunidade TC, a alta de 80% nas vendas no marketplace, operação online que reúne ofertas de terceiros, foi o destaque. “Para dar suporte ao papel, acreditamos que o investidor começará a exigir sinais mais claros relacionados às iniciativas promissoras sendo implementado pela gestão, mas continuaremos a dar à empresa o benefício da dúvida, apoiada pelo entusiasmo em torno da tese de um melhor ambiente para o consumo”, disse relatório do Credit Suisse de hoje, no qual o analista Victor Saragiotto recomenda ao detentor do papel “perdoar e esquecer” o balanço.

 

O papel da varejista negocia a 31 vezes o [lucro estimado para o ano]( https://tradersclub.com.br/glossario/m/multiplo-preco-lucro/), com o valor da empresa estimado em 6,8 vezes a geração de lucro operacional anual – [múltiplo]( https://tradersclub.com.br/glossario/m/multiplo-de-mercado/) conhecido como EV/EBITDA. A XP disse que gosta ainda do risco-retorno atrativos do papel e o BTG Pactual aponta que, apesar do cenário desafiador, há indicação de melhoras incipientes na operação. “Vamos revisar nossas estimativas para a companhia”, disse o analista Luiz Guanais, que manteve a recomendação neutra no papel à espera da reestruturação.

 

(Foto: Casas Bahia – Divulgação)

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