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Nota de crédito da Vale dependerá de resposta à tragédia, sugere S&P 

Postado por: TradersClub em 12/02/2019 às 12:16

O agência de classificação de risco S&P vai tomar seu tempo para analisar o impacto da tragédia de Brumadinho no perfil de crédito da Vale – sinalizando que a sólida posição financeira e a maior flexibilidade operacional da maior mineradora do mundo pode, por algum tempo, mitigar os impactos legais e financeiros do desastre que matou mais de 160 pessoas no mês passado.

 

No dia em que ocorreu o acidente, a S&P colocou a nota de crédito da Vale em revisão com implicações negativas, refletindo a visão de que os riscos relacionados à catástrofe são consideráveis, embora o real impacto na qualidade de crédito da empresa ainda seja incerto. “Em nossa opinião, esse segundo acidente revela que a Vale não dimensionou adequadamente os riscos operacionais ou que estava disposta a lidar com os riscos dos rejeitos, enquanto concluía a desativação das barragens potencialmente vulneráveis, o que pode indicar uma fraca gestão de risco,” disse o relatório assinado pela analista Flávia Bedran e sua equipe.

 

O perfil de crédito individual, conhecido em inglês como stand-alone credit profile, da Vale é atualmente “BBB”, segundo as métricas da S&P. Antes do acidente, a nota poderia ser para “BBB menos” se o índice de dívida ajustada aumentasse para cerca e 3,5 vezes EBITDA e a relação geração interna de caixa sobre dívida se aproximasse de 30%, disse o relatório. Mas as circunstâncias são diferentes agora e requererão de uma análise mais dependente da resposta e da resiliência da companhia ao impacto da tragédia, sugere o relatório.

 

Segundo Bedran, os riscos para a Vale vêm crescendo nas frentes operacional, de balanço patrimonial, de liquidez, de reputação e de governança. No entanto, à medida que sejam disponibilizadas mais informações, os órgãos governamentais e regulatórios podem decidir impor proibições às operações mediante a suspenção de licenças da empresa, o que reduziria ainda mais a produção do que os 40 milhões de toneladas esperados, disse.

 

O número de mortes registrado em Brumadinho é muito mais alto do que na última tragédia da subsidiária Samarco, da Vale, em novembro de 2015, “o que pode implicar custos de indenização muito mais elevados, enquanto os efeitos tóxicos ambientais à
fauna e flora são altamente incertos.”

 

A causa do acidente também influenciará o volume de passivos diretos e indiretos, disse a analista, que não descarta a possibilidade de crescentes reivindicações de todas as partes afetadas. Por outro lado, “a Vale possui um balanço patrimonial robusto e é capaz de absorver um significativo impacto sem que suas métricas sejam afetadas,” destaca. Além disso, a empresa suspendeu o pagamento de dividendos para 2019 e anos subsequentes, e com o preço do minério em alta a situação de caixa melhora – o que proporciona certa folga para suas métricas de crédito. A ação ON da Vale negociava hoje em alta de 1,6% a R$42,68, reduzindo sua perda no ano a 16,3%.

 

 

(Foto: Mina da Vale – Divulgação/Ricardo Teles)

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