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Cemig decide priorizar capitalização da Light em oferta de R$2,1 bilhões

Postado por: TC Mover em 02/07/2019 às 9:25

A Cemig decidiu priorizar o plano da controlada Light Energia para reduzir a dívida, que está próxima de ultrapassar as métricas estipuladas pelos credores, e deve captar apenas uma fração da oferta da elétrica carioca, que a preços atuais levantaria pouco mais de R$2,1 bilhões.

 

Em fato relevante divulgado nesta terça-feira, a Light disse que planeja colocar à venda 100 milhões de novas ações ON em uma oferta primária cujos recursos levantados irão diretamente para os cofres da companhia. Já a Cemig deve oferecer 11,1 milhões de ações no âmbito da oferta secundária, que podem ser acrescidos em até 223,1 milhões de ações, dependendo da demanda.

 

A oferta deve ser precificada no dia 11 de julho, de acordo com o prospecto apresentado pela Light à CVM. Segundo uma fonte próxima ao negócio, o capital que a Light levantar deverá ser destinado à redução da dívida da companhia, que representava 3,7 vezes o lucro operacional, ou EBITDA, anual no final do primeiro trimestre – no limite dos 3,75 vezes estipulados nos contratos de dívida mobiliária da empresa.

 

Além de ser mais uma tentativa por parte da Cemig de reduzir sua participação na Light para abaixo dos 49,99%, a oferta pode abrir o caminho para uma aquisição da Light em um momento posterior, disse a fonte. Isso, porque uma empresa com um balanço saudável e com uma gestão focada em maior eficiência operacional e menores perdas de energia – os chamados gatos, muito comuns na área metropolitana do Rio de Janeiro – deve se tornar muito atrativa para um investidor estratégico na área de distribuição de eletricidade.

 

O papel da empresa carioca negocia a pouco menos de 1 vez sua base de ativos regulatórios, um métrica de avaliação comum na indústria de eletricidade, comapado com o múltiplo de 2,37 vezes da concorrente Energisa e dos 1,6 vez da Neoenergia – cujas ações negociaram na B3 ontem pela primeira vez. A diretoria da Cemig avaliava vender mais de 20% da fatia na Light na oferta, mas entendeu que o melhor caminho para a Light era priorizar a oferta primária, disse a fonte.

 

Desde 2016, a Cemig tentou vender ou negociar sua fatia na Light em múltiplas ocasiões. Após uma tentativa falha de negociar uma fusão com a italiana Enel, que domina concessões em áreas próximas à cidade do Rio, em 2016, a estatal mineira viu uma oferta subsequente que seria ancorada pelo fundo de private equity GP Investimentos fracassar após a ação da Light disparar.

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