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BTG Pactual, XP recomendam olhar para sinergias na fusão BRF-Marfrig

Postado por: TC Mover em 31/05/2019 às 13:02

O investidor precisa monitorar os altos riscos de execução e o potencial de sinergias operacionais limitado no plano de fusão da BRF e da Marfrig, que juntas criariam a quarta maior empresa de proteínas do mundo, disseram analistas do BTG Pactual e XP Investimentos nesta sexta-feira – sinalizando que o mercado vai olhar com lupa para a transação e vai quer mais detalhes antes de embarcar nela.

 

Na noite de ontem, a BRF e a Marfrig anunciaram que estão avaliando uma potencial fusão, com prazo de exclusividade de até 120 dias. De acordo com os termos preliminares da transação, a BRF deteria quase 85% do capital da nova empresa, enquanto a Marfrig teria pouco mais de 15%. As empresas não deram maiores detalhes sobre o arranjo de governança corporativa na empresa combinada nem sobre o potencial acordo de acionistas. Se a transação se materializar, a empresa resultante seria a quarta maior produtora de proteínas do planeta, somente atrás da brasileira JBS, da norte-americana Tyson Foods e da chinesa Smithfield.

 

Analistas tanto do BTG Pactual e da XP como de outras casas, no entanto, se mostram cautelosos quanto à avaliação do que a nova empresa poderia atingir ou do valor que poderia trazer aos acionistas. Para a XP, as sinergias são difíceis de mensurar neste momento, mesmo que exista, em teoria, um “potencial de otimização de gastos administrativos, despesas de vendas e oportunidades comerciais.” Já para o BTG Pactual, a estrutura do negócio sugere que haveria mais sinergia na redução do passivo das duas companhias do que do lado operacional – especialmente quando combinadas as áreas de carnes bovina e suína da Marfrig com o de aves da BRF.

 

Apesar do que parece ser uma relação de troca mais favorável à BRF, o papel da maior exportadora de carne de frango do mundo recuava 3,7% a R$27,94 por volta das 12h30. A Marfrig subia 2,80% a R$6,97, sinal de que o investidor acha que um portfólio mais diversificado de produtos e geografias da empresa combinada deve favorecer mais ao frigorífico. No mercado de opções, a opção de compra da BRF com preço de exercício nos R$29 despencava quase 50%, refletindo o ceticismo quanto às sinergias, enquanto a opção de compra da Marfrig com exercício nos R$7,40 triplicou.

 

A nova companhia teria receita de mais de R$80 bilhões e presença em mais de quatro continentes. Para analistas, a companhia combinada nasceria com um múltiplo EV/EBITDA de mais ou menos 7 vezes, levando em conta as 9 vezes da BRF e as 5,5 vezes da Marfrig. O múltiplo mostra a quantidade de anos de lucro operacional necessários para pagar o que o negócio vale. “Se assumirmos uma reclassificação do múltiplo para 8 vezes, algo não óbvio, haveria potencial de aumento de 25% para ambas as ações, com potenciais sinergias, enquanto a dívida líquida equivaleria a 3,3 vezes o EBITDA anual no fim de 2019, o que é importante para a BRF,” disse a XP em nota a clientes.

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