TC Mover
Mover

Brumadinho, um ano depois: Vale ainda enfrenta a Justiça e os danos ambientais

Postado por: TC Mover em 24/01/2020 às 16:50

Por Kariny Leal, editora TC Mover

 

Neste sábado, 25, a tragédia de Brumadinho, causada pelo rompimento da barragem da Vale, que matou quase 300 pessoas e provocou o maior desastre ambiental da história do país, completa um ano sem que as punições à companhia tenham chegado ao fim e poucos avanços na recuperação dos danos ao meio-ambiente. Na última terça-feira, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou criminalmente a Vale, a auditoria alemã Tüv Süd e mais 16 executivos das duas companhias. Além dos crimes de homicídio, os promotores identificaram ainda os prejuízos ambientais promovidos pelo rompimento que, de acordo com as investigações, as empresas já tinham conhecimento e estudos aprofundados de que poderiam ocorrer.

 

De acordo com a denúncia do MPMG, foram encontrados nos arquivos e nos computadores obtidos na sede da Vale informações de que a companhia tinha ciência da possibilidade de rompimento de suas barragens, incluindo cálculos de danos possíveis em casos de tragédias. Os executivos da mineradora desenvolveram uma lista “Top 10”, segundo os promotores responsáveis pelas investigações, que listava as barragens em situação “inaceitável de segurança” e as perdas ambientais e materiais de cada uma delas, incluindo a de Brumadinho, que não estava entre as “piores”, na avaliação deles.

 

A marca de um ano da tragédia vem na semana do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, onde foi discutido, além de questões econômicas, a sustentabilidade ambiental dos negócios, com foco, principalmente, em companhias de commodities. Enquanto ativistas como a “pirralha” Greta Thunberg reivindica o fim das energias fósseis e a redução das emissões de gás carbônicos, as empresas se esforçam para atingir critérios bem vistos por investidores de ESG, Environmental, Social and Corporate Governance, ou, em português, Ambiental, Social e Governança. A Ambev, por exemplo, integra o Pacto Global das Nações Unidas, de gerenciamento de negócios sustentáveis.

 

Entre os danos à fauna, a denúncia de 477 páginas relata a destruição desde ninhos, abrigos e criadouros naturais, até a morte de espécimes silvestres, nativas e em rota migratória. Segundo o MP, o crime foi praticado em unidades de conservação e provocou destruição em massa. O rompimento da barragem destruiu e danificou áreas de flora consideradas de preservação permanente e em formação, bem como vegetação do Bioma Mata Atlântica. A lama que se espalhou pelo local impediu a regeneração natural das florestas e vegetações e causou a erosão do solo.

 

Os promotores lembram que a tragédia da Mina do Córrego do Feijão veio pouco mais de três anos após o rompimento da Barragem do Fundão, da Samarco, uma joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton. O rompimento de Mariana, em novembro de 2015, deixou 19 vítimas e espalhou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Em Brumadinho foram 13 milhões de m³, mas 277 mortos confirmados, além de vários desaparecidos.

 

Depois do primeiro caso, a Vale abriu a Fundação Renova, em 2016, a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta entre as companhias responsáveis pela barragem, o Governo Federal e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, além de autarquias, fundações e institutos, para reparar as regiões atingidas. De acordo com o site da própria fundação, 113 afluentes de rios impactados foram reabilitados com os trabalhos e, das cinco mil nascentes que eles prometeram proteger, cerca de mil já passaram pelos trabalhos. No entanto, de acordo com agências de notícias que visitaram o local atingido recentemente, a lama continua no mesmo lugar e o Rio Doce segue praticamente sem vida.

 

À época, o SOS Mata Atlântica analisou os mais de 300 km do rio Paraopeba, desde o Córrego de Feijão até o reservatório de Retiro Baixo, e concluiu que a água estava imprópria para uso. O Ibama estima que mais de 138 hectares de florestas nativas, o equivalente a 153 campos de futebol, foram perdidos. Somente em agosto, quase sete meses após a tragédia, a Vale anunciou o início da dragagem do Paraopeba.

 

(Foto: Associated Press)

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis