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Seis eventos econômicos e financeiros para ficar de olho nessa semana

Postado por: TC Mover em 26/11/2018 às 12:39

O sentimento do mercado levou mais um tombo nas últimas semanas, em meio à elevada incerteza política e crescentes temores sobre as perspectivas de crescimento econômico global. O risco de estar excessivamente tranquilo ou pessimista é grande. Quais os eventos econômicos, financeiros e políticos que você precisa ficar de olho entre 26 de novembro e 2 de dezembro para não perder oportunidades?

 

  • Conseguirá a premiê britânica apoio do parlamento para o Brexit?
  • O que trará a ata de política monetária do Federal Reserve?
  • O que nos trará a cúpula Trump-Xi na reunião do G-20?
  • O que aguarda o México após a posse de López Obrador?
  • Como virão os números do PIB nos Estados Unidos e no Brasil?
  • Irá Bolsonaro anunciar sua equipe de governo completa?

 

1) Conseguirá a premiê britânica apoio do parlamento para o Brexit?

 

Mais de dois anos após o povo britânico decidir romper com a União Europeia, a primeira-ministra britânica Theresa May e os líderes dos demais países-membros do bloco aprovaram no domingo o texto-base que delimita o acordo do Brexit, como é conhecido o acordo de saída do país da UE. No entanto, o problema não acaba aí.

 

Primeiro, May precisa ganhar apoio para o acordo em seu próprio Parlamento, que pode votá-lo no início de dezembro, mas não sem antes dar bastante trabalho para discuti-lo. Os mercados europeus andam tensos desde que surgiram rumores de que May enfrentaria uma moção de censura no Parlamento por conta dos termos do acordo. A libra esterlina despencou fortemente em 15 de novembro e ainda não se recuperou totalmente; o rendimento dos títulos da dívida britânica caíram – sinal de procura por ativos seguros.

 

Dezenas de membros do Partido Conservador de May, assim como o opositor Partido Trabalhista, ameaçam rejeitar o acordo: eles alegam que o país ficaria refém das regras comerciais da EU, que também exerceria muito poder na fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte – que é parte do Reino Unido. Se o acordo não for aprovado, May vai ter que correr contra o relógio para garantir um Brexit ordenado antes que o Reino Unido saia do bloco em 29 de março; uma saída sem acordo vai lhe trazer multas e empecilhos comerciais e diplomáticos.

 

Ontem, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, disse que a versão mais recente do acordo é inegociável. O Brexit não é único ruído político imperante na Europa: o outro é o impasse relacionado ao orçamento da Itália. Como as turbulências externas têm potencial parar gerar volatilidade também no Brasil, é muito importante ficar atento a estes desdobramentos.

 

A premiê britânica Theresa May enfrenta os opositores com acordo do Brexit. Foto: Arno Mikko/Flickr

 

2) O que trará a ata de política monetária do Federal Reserve?

 

O comitê de política monetária do Federal Reserve deve divulgar a ata da sua reunião de novembro na próxima quinta-feira, às 17h00, horário de Brasília. O comitê, conhecido como FOMC, manteve a taxa-alvo básica de juros inalteradas, mas sinalizou que deve elevá-la em dezembro.

 

O investidor buscará indícios de como a recente instabilidade de mercado pode mudar o curso da política monetária do Fed, especialmente com o tombo nos preços das commodities aumentando o risco de uma desaceleração na inflação ao redor do mundo.

 

Mesmo assim, o pior outubro para os mercados em cinco anos – e um novembro similar, ou quiçá pior para o desempenho dos ativos financeiros no mundo inteiro – não deve sensibilizar as lideranças do FOMC, disseram economistas e contribuidores TC. Alguns investidores acham que o banco central americano devia suspender o ciclo de altas nos juros.

 

A queda de mercado, que atingiu ações, títulos corporativos, commodities e até o bitcoin, não deve impedir que o Fed eleve as taxas de novo.

 

Preste atenção a esta situação curiosa: de acordo com traders e economistas consultados pela TC News, os membros do FOMC estão divididos sobre quantas vezes a taxa-alvo deve subir em 2019. As projeções divulgadas após a reunião de comitê em setembro mostraram que ainda não há consenso se deve haver dois, três ou quatro aumentos no ano que vem. Para ativos emergentes, como os brasileiros, o ritmo de alta de juros nos EUA é importante porque pode torná-los menos atrativos. Se você quiser saber mais sobre como isso pode interferir no seu patrimônio, cadastre-se no TradersClub!

 

O presidente do Fed, Jerome Powell, já deu indicações de mais uma alta de juros nos EUA. Foto: Fed Press Room

 

3) O que nos trará a cúpula Trump-Xi na reunião do G-20?

 

A partir da próxima semana, a cúpula do G-20 pode fornecer alguma fonte de alívio ao complicado cenário geopolítico e comercial entre as nações mais ricas. Não existe um consenso de que a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e a China, programada para acontecer em meio à cúpula das 20 maiores nações do mundo, na Argentina, abra espaço para o esboço de uma solução. O encontro de dois dias começa na sexta-feira. Chefes de Estado, ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do grupo também farão parte da reunião em Buenos Aires.

 

Donald Trump e Xi Jinping devem se encontrar, mas a tensão dos mercados em dias recentes indica que poucos esperam algum avanço na solução da disputa; os EUA alegam que a China usufrui demais do comércio entre os dois países e que, além disso, fomenta o roubo de propriedade intelectual americana.
Pode haver alguma luz no final do túnel se Xi anunciar que a China se esforçará para reduzir seu imenso superávit comercial bilateral com os EUA e aumentar o acesso à economia doméstica em troca de menores sobretaxas comerciais.

 

O Barclays disse: “Dadas as baixas expectativas até agora, achamos que um acordo de alguma forma poderia reduzir a atual aversão ao risco, sinalizando espaço contínuo para uma maior cooperação EUA-China, apesar das tensões existentes.”

Os desdobramentos desse evento estão  gerando forte volatilidade no mercado há tempos; para navegar melhor nessa tempestade, entre para o TC!

 

4) O que aguarda o México após a posse de López Obrador como presidente?

 

O México, a segunda maior economia da América Latina, dará posse a um novo presidente em 1º de dezembro. Andrés Manuel López Obrador, líder esquerdista que perdeu várias eleições no passado, é cada vez menos visto pelo mercado como um político pragmático após cancelar um projeto de US$13,3 bilhões para fazer um aeroporto na Cidade do México. Sua vitória foi a exceção na onda de direita que domina a maioria de países da região – nesse ano, a direita ganhou no Paraguai, na Colômbia e no Brasil.

 

Mais material para se preocupar? López Obrador recentemente anunciou uma série de referendos públicos para que os eleitores tomem decisões de política pública.

 

Um projeto de lei, que propõe ao Congresso do país a redução e eliminação de algumas tarifas bancárias, é visto com muitas ressalvas pela comunidade empresarial do país.

 

O peso mexicano perdeu mais de 5% ante o dólar nesse ano e hoje recua 0,1%, mostrando a preocupação geral entre os investidores sobre o rumo que AMLO, como o mandatário é conhecido popularmente, dará à política econômica do país.

 

AMLO, como o próximo presidente do México é conhecido, toma posse em dezembro. Foto: ProtoplasmaKid/WikiCommons

 

5) Como devem vir os números do PIB nos Estados Unidos e no Brasil?

 

Os investidores estão preocupados com dados recentes que sinalizam uma redução na dinâmica de crescimento nos Estados Unidos – o que afeta o mundo inteiro. Já no Brasil, o final da disputa eleitoral e os anúncios do presidente eleito Jair Bolsonaro em relação ao ajuste fiscal e à abertura comercial devem dar um fôlego aos planos de investimento, mas só para o ano que vem.

 

  • PIB dos EUA (quarta-feira, 28 de novembro, 11h30, horário de Brasília)

 

Embora os efeitos do estímulo fiscal tenham atingido o pico, o gasto das famílias permanece sólido e setores como a construção parecem ter se estabilizado; o mercado de trabalho forte deve ser alicerce do consumo privado. O consenso espera uma alta anualizada de 3,6% no trimestre; esta será a segunda prévia do resultado final.

 

Falta ver como a queda acentuada nos preços do petróleo desde o começo do quarto trimestre, assim como o acirramento da disputa comercial entre os EUA e a China, pode impactar o crescimento da maior economia do mundo nos próximos meses.

 

  • PIB do Brasil (sexta-feira 30 de novembro, 09h00, horário de Brasília)

 

No terceiro trimestre, a economia brasileira deve ter crescido 0,8% na base sequencial e 1,6% na base anual, disseram economistas consultados pelo TC. Os números mostram uma aceleração perante os resultados divulgados anteriormente. Se confirmada, esta seria a sétima expansão econômica consecutiva desde o fim da recessão de 2014-2017.

 

Todos os componentes do PIB, tanto pela ótica da oferta quanto pela ótica da demanda, devem mostrar resultados positivos, à exceção da construção, refletindo um mercado de emprego ainda frágil. Os destaques pelo lado da oferta devem ser o setor agropecuário e o setor de serviços; pela demanda, se espera um impulso no investimento em razão da incorporação das plataformas de petróleo. A formação bruta de capital fixo, como é conhecido o investimento fixo em termos mais técnicos, pode apresentar a maior taxa de crescimento em cinco anos.

 

6) Irá Bolsonaro anunciar sua equipe de governo completa nesta semana?

 

Tudo parece indicar que o presidente eleito Jair Bolsonaro deve completar a formação da sua equipe de governo esta semana. Hoje, o ex-capitão nomeou o general Carlos Alberto dos Santos Cruz como secretário de Governo, pasta que terá status de ministério. Com a de hoje, Bolsonaro anunciou nomeações de 14 ministros. Mas falta um muito importante.

 

Esse é o Ministério de Minas e Energia, feudo já antigo do MDB e reitor das joias da Coroa das estatais brasileiras: Petrobras e Eletrobras. Para os políticos, o ministério parece ser o mais rentável – nem é preciso dizer como investimento e eficiência nessa pasta sofreram ao longo dos últimos 15 anos. Até agora, Bolsonaro conseguiu resistir à cobiça do MDB e os demais partidos tradicionais pela pasta.

 

Os rumores dizem que há dois ou três candidatos para assumir o ministério: Adriano Pires, crítico  de longa data da forma de fazer política no ministério e um consultor respeitado pelo setor e o mercado; do outro, Jaime Martins, deputado mineiro do Pros, que ganhou força na bolsa de apostas por ser amigo do presidente. O mercado não parece gostar desse candidato.

 

Em termos da montagem do gabinete ministerial, é fácil distinguir que, em matéria de diversidade, Bolsonaro pouco avançou: até agora há uma única mulher indicada, a deputada Tereza Cristina para a pasta de Agricultura, e não há negros. Mas as origens e as qualificações acadêmicas e profissionais dos escolhidos têm sido elogiadas.

 

Também é fácil distinguir três grupos: os superpoderosos, como Paulo Guedes e Sérgio Moro; os renegados e desconhecidos, como Onyx Lorenzoni e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores; e o núcleo militar, que cada dia cresce mais.

 

O fato de haver vários ministros indicados pelas bancadas respectivas, no caso da Saúde e da Agricultura, mostra que Bolsonaro quer negociar com os parlamentares e não com as lideranças partidárias. Até que ponto isso será bom, saberemos depois.

 

Bolsonaro deve concluir indicações essa semana. Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

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