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PIB brasileiro tem primeira queda sequencial em nove trimestres, por Brumadinho, indústria

Postado por: TC Mover em 30/05/2019 às 9:45

A economia brasileira registrou nos primeiros três meses do ano sua primeira queda sequencial em nove trimestres, refletindo o forte impacto do acidente da Vale em Brumadinho sobre a produção de minério de ferro e outras atividades extrativas, assim como de uma atividade agropecuária em ritmo mais lento do que o esperado.

 

No primeiro trimestre de 2019, o Produto Interno Bruto – a soma de todas as riquezas do país – recuou -0,16% em relação ao quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal, disse o IBGE nesta quinta-feira. O número veio em linha com a contração de 0,2% esperada no consenso TC. Na comparação anual, o PIB cresceu 0,46%, também em linha com o consenso de 0,5%. No acumulado dos quatro trimestres terminados em março, o PIB avançou 0,93%, ante consenso de 0,90%.

 

Em valores correntes, o PIB no primeiro trimestre totalizou R$1,714 trilhão. A taxa de investimento fechou março em 15,5% do PIB, acima do os 15,2% observados um ano atrás.

 

A queda do PIB na base sequencial e a desaceleração pronunciada nos comparativos anuais confirma a visão da maioria dos economistas de que, sem reformas fiscais profundas, o país corre o risco de cair numa recessão nos próximos meses. Os dados refletem a falta de ânimo de consumidores e empresários, a imprevisibilidade para os investimentos em meio a uma séria crise fiscal e as incertezas que rondam a aprovação da Reforma da Previdência – vista no mercado como a medida mais importante para evitar fortes altas de impostos lá na frente.

 

A indústria encolheu 0,7% e 1,1% nas bases sequencial e anual, respectivamente, puxada pelo recuo no setor extrativo, após o desastre da mina de Brumadinho, onde uma barragem de rejeitos minerais da Vale se rompeu e paralisou a produção de minério de ferro. A agropecuária retraiu 0,5% e 0,1% nas mesmas bases, com a quebra de safra da soja na esteira de uma seca atípica no Paraná, Bahia e Mato Grosso do Sul. Já os serviços registraram alta de 0,2% e 1,2%, com a maior atividade nos serviços financeiros limitada pelo alto desemprego.

 

O mercado reagiu desfavoravelmente aos números: o futuro do índice Bovespa recuava 0,11%, enquanto o dólar futuro avançou 0,35% aos R$3,9890, perto de quebrar de novo a barreira dos R$4 por dólar. Os juros futuros embutiram maior risco ao longo da curva de vencimentos – após três dias seguidos de quedas.

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