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O que o investidor precisa acompanhar em 2019

Postado por: TC Mover em 27/12/2018 às 13:14

Os editores da TC News prepararam essa lista de eventos para que você fique de olho nos principais assuntos que dominarão a economia, a política e os mercados em 2019. Países emergentes como o Brasil terão um curto tempo para se recuperar do tombo que já destruiu cerca de US$17 trilhões do valor de mercado das bolsas globais desde janeiro. Reformas e governabilidade no país, populismo ao longo do continente, juros em alta nos Estados Unidos e na Europa, dólar forte, guerra comercial, o petróleo em queda e até o aumento de algo-trading devem pesar sobre os mercados.

Novo governo, mesmos desafios: Jair Bolsonaro assume como Presidente da República em 1º de janeiro, com a missão de resolver sérios problemas políticos, econômicos e sociais que afligem o Brasil. Há forte polarização política, a economia e as contas públicas estão em frangalhos e será preciso lidar, ainda, com a forte sensação de insegurança nas cidades e no campo. Para o investidor, afirmam economistas do Itaú e do Bradesco, será vital saber como Bolsonaro vai encarar o processo de consolidação fiscal e de melhora da produtividade para fazer o país crescer novamente. A baixa produtividade é explicada por uma combinação de fatores. Para o Brasil produzir mais com menos são necessárias uma reforma tributária que facilite os negócios, maior abertura comercial e um sistema bancário que ofereça crédito a juros menos proibitivos. A administração Michel Temer deixou um legado de melhorias em alguns desses aspectos, mas ainda há muito a ser feito.

 

‘Mais Brasil e menos Brasília’: Quiçá o ponto mais ambicioso da agenda Bolsonaro é também o que mantém o mercado mais empolgado: o pacote de ajuste fiscal, completamente ligado ao crescimento do país. Nesta semana, uma pesquisa Datafolha revelou que dois terços dos brasileiros veem uma melhora na economia com a entrada do novo governo. O segredo do sucesso? Primeiramente, a capacidade de Bolsonaro de fazer uma consolidação fiscal reduzindo o peso das despesas obrigatórias no orçamento. Além disso, contam pontos a probabilidade de aprovar a reforma da Previdência – um passo para tornar o país menos desigual, mas que sofre oposição do Legislativo e do funcionalismo público -, a redução dos subsídios, e as reformas do ensino e do sistema de saúde. A Previdência, aliás, será o primeiro teste da habilidade de Bolsonaro para lidar com um país que resiste em mudar e que pode quebrar em menos de dois anos, caso medidas duras não sejam implementadas.

 

Riscos para o Brasil: Para economistas do Credit Suisse, os principais fatores negativos para o Brasil no ano que vem incluem (i) a aprovação de uma reforma da Previdência pouco robusta, que deixe o mercado temeroso quanto à sustentabilidade das contas públicas; (ii) a magnitude e a intensidade do ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos; (iii) crescimento da economia chinesa abaixo do esperado, e; (iv) intensificação da guerra comercial entre os EUA e a China. Já o lado positivo abarca: (i) aprovação rápida da reforma da Previdência, assim como da tributária e da agenda de modernização da máquina pública – que deve acelerar a reprecificação dos ativos domésticos; (ii) estímulos econômicos mais significativos, que não se traduzam em aumento do risco fiscal; (iii) uma agenda mais agressiva de privatizações e concessões do que aquela incorporada no cenário base.

 

Quem é Bolsonaro? O mercado ainda se pergunta quem é Jair Bolsonaro. Mesmo com uma equipe econômica brilhante e um discurso atraente para o conhecedor dos temas nacionais, as diretrizes de política econômica precisam ser mais bem explicadas. Ele dará continuidade às iniciativas do governo Temer? Ou as aprofundará? Mais do que tudo, duas coisas concentram as preocupações do investidor: a habilidade de articulação de Bolsonaro & Cia, em meio a um ambiente hostil, e sua capacidade de entrega. Ou seja, tudo se resumirá à competência da equipe, diz o cientista político Bolívar Lamounier.

 

Privatizações:  O governo Bolsonaro defende uma ampla agenda de privatizações. Embora a privatização de alguns ativos importantes, como a Petrobras ou o Banco do Brasil, seja improvável, o governo pode ter sucesso vendendo outros – como aeroportos, concessões de infraestrutura e a BR Distribuidora, para citar alguns, de acordo com economistas do Credit Suisse. O peso das empresas públicas no orçamento e na economia nacional é grande demais. O Brasil tem mais estatais do que qualquer estado membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico: são 418, para ser exato, comparado com 370 na Hungria ou 25 no Chile. Há ativos de sobra para vender e a bom preço. O problema é que os brasileiros detestam privatização. Assim, os esforços de Bolsonaro para vender esses ativos serão um dos pontos de maior atenção entre os investidores em 2019, ressalta o contribuidor TC e gestor Pedro Albuquerque.

 

O panorama lá fora não é promissor. Juros mais altos nas maiores economias somados a uma liquidez mais restrita nos mercados globais darão início a um ciclo diferente no planeta: o desaparecimento dos incentivos monetários e fiscais pós-crise de 2008. Fique de olho na plataforma política dos líderes do G-7, nas ações dos bancos centrais mais relevantes do mundo e na evolução do comércio mundial, que nunca voltou ao nível pré-2008 e deve piorar na esteira de disputas entre as maiores nações. Assim, 2019 começa em modo de desaceleração, aponta o banco Barclays.

 

A China nos holofotes: O presidente chinês, Xi Jinping, encerra 2018 com um discurso desafiador, gritando aos quatro ventos que Pequim não cederá rapidamente às exigências dos Estados Unidos para ajustar suas práticas comerciais e de investimento. Com a iminência de conversas de alto nível entre altos funcionários dos dois países no mês que vem, o investidor ficará atento a qualquer sinal de aumento nas tensões – o que terá impacto imediato nos preços dos ativos financeiros no mundo. O principal índice de ações da China deve fechar o ano com o pior desempenho desde a crise financeira de 2008; para os mercados mundiais, 2018 deve acabar sendo o pior ano, em termos de desempenho por classe de ativo, na história, segundo recente pesquisa da Bloomberg.

 

Crescimento perdendo fôlego nas maiores economias: A guerra comercial que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou com a China, seus vizinhos da América do Norte e a Europa impactou o crescimento global neste ano e deve reverberar até 2019. A escalada das políticas protecionistas, que levou a maior economia mundial a dobrar as taxas de importação de alguns produtos chineses, arrastou a previsão de crescimento mundial para perto de 3,7%, ante a previsão anterior de 3,9%, disse o Fundo Monetário Internacional em outubro. Essa estimativa não incluía os fortes impactos da escalada das disputas comerciais. O Reino Unido também deverá sofrer em meio ao cenário de conflitos comerciais e a incerteza do Brexit, cujo prazo é 29 de março.

 

Juros em alta nas economias desenvolvidas: A continuidade do processo de aperto monetário nos Estados Unidos, assim como o início das altas de juros na Zona do Euro, é mais uma incerteza relevante para o próximo ano, na esteira da desaceleração econômica global. Nas últimas semanas de 2018, o Federal Reserve, banco central americano, adotou uma postura mais cautelosa em relação ao rumo dos juros no ano que vem, revisando para baixo seu famoso “dot plot” – a percepção de como será o calendário de altas de taxa-alvo. Para 2019, a previsão passou de 3,1% para 2,9%, o que significaria duas novas altas. Para 2020 e 2021 a taxa Fed Funds estimada foi de 3,1%. O processo de aperto monetário, inaugurado pelo Fed, deve ser seguido pelo Banco Central Europeu a partir do verão do Hemisfério Norte. Uma escalada nas taxas de juros das maiores economias poderia impactar as economias de países emergentes como o Brasil, encarecendo o custo do crédito e tornando menos atrativos seus ativos financeiros e projetos, afirmam contribuidores TC como Daniel Alberini, gestor da CTM Investimentos.

 

Caos nos EUA (I): Quando 2019 começar, o presidente Donald Trump terá um ministro-chefe de gabinete interino, um secretário de Defesa interino, um procurador-geral interino, um diretor da agência federal do Meio Ambiente interino e, seguramente, ainda estará sem secretário do interior ou embaixador nas Nações Unidas. Quem estava nesses cargos ou foi demitido, ou se demitiu. Os que saíram por sua própria vontade deixaram o gabinete brigados ou foram atingidos por ataques do presidente. O ex-chefe e o vice-chefe de sua campanha, seu ex-conselheiro de Segurança Nacional e seu advogado pessoal já se declararam culpados de algum crime. Tanto a campanha Trump como a fundação e a organização pertencentes à sua família estão sob investigação. Os aliados dos EUA estão perdidos com os rumos da política externa, que mudou da água para o vinho em questão de alguns meses.

 

Caos nos EUA (II): O estilo irascível e temperamental de Trump deve continuar produzindo manchetes negativas que farão os mercados sofrerem – lembrando que em agosto o presidente americano se gabava de ter deixado as bolsas nas máximas históricas. Os principais índices de Nova Iorque já entraram em território de correção várias vezes nas últimas semanas graças aos tweets de Trump. O risco de um impeachment, que há meses era visto como desprezível, tende a crescer com o Partido Democrata no comando da Câmara dos Deputados.

 

Mais um ano de dólar forte? Neste ano, o dólar mais forte prejudicou os preços das commodities e as moedas emergentes. Nesta classe, as economias com balanço externo relativamente forte suportaram a escalada do dólar com robustez, mesmo que com fragilidades fiscais. É neste ponto que o investidor precisa ficar de olho: até onde os países mais vulneráveis reagirão a um cenário de moedas convulsionado em 2019. A expectativa entre os economistas, analistas e contribuidores TC é de volatilidade das moedas emergentes, fraqueza das commodities e baixo crescimento. “Governos incapazes de liderar a recuperação e incerteza política completam um quadro pouco favorável”, explica o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves.

 

O fim do ‘Greenspan Put’: A atual queda do mercado, assim como muitas no passado, fornece valiosas lições de prudência para o investidor individual. Os bons investidores sabem que se preparar para quedas inexplicáveis e inconvenientemente cronometradas é um dos primeiros passos para se dar bem. Desde o mandato de Alan Greenspan, o Federal Reserve tentou sustentar a ilusão de que taxas de juros baixas ajudam a manter os preços dos ativos financeiros em uma trajetória suavemente crescente e livram a economia dos riscos da recessão. Essa receita, conhecida como o Greenspan Put, não só falhou nos dois objetivos, como criou as condições para a alocação ineficiente de capital em empreendimentos produtivos. Há, portanto, mais chances de que o Fed não se curve à pressão política de Trump e mantenha sua diretriz de aumentar os juros pelo menos duas vezes no ano que vem. O resultado? Mais volatilidade, diz o comentarista de mercado canadense Hilliard MacBeth.

China e os estímulos: Alguns conhecedores da China estão ficando preocupados com a multiplicidade de objetivos do governo Xi, muitos dos quais parecem conflitantes entre si. Destravar crédito ou apertá-lo? Produzir mais ou poluir menos? Subir juros ou cortá-los? Há um crescente sentimento de incerteza entre os investidores de que a atividade na China está ficando cada vez mais resistente aos estímulos de política econômica. Os anúncios recentes de cortes de impostos e relaxamento das restrições no crédito para pequenas e médias indústrias não injetaram o ânimo necessário no mercado; em vez disso, o que domina é um sentimento de incoerência e a certeza de que a segunda maior economia do planeta crescerá a um ritmo menor no ano que vem.

 

O poder dos robôs: A volatilidade foi um dos temas do ano que termina. Por quê? Oito em dez operações nas bolsas americanas são lideradas por máquinas. O fenômeno, também chamado de algo-trading, refere-se à transações de mercado que usam modelos matemáticos avançados, ou algoritmos, para tomar decisões de alta velocidade. Muitos acreditam que as quedas pronunciadas no mercado vistas ao longo de 2018 foram exacerbados por essas máquinas, que reagem a dados imediatamente, sem tempo para digeri-los, como os humanos o fariam. O volume diário de algo-trading pode mudar de acordo com a volatilidade, mas é possível que em 2019 seu impacto se torne mais visível e mais disruptivo, de acordo com analistas do Deutsche Bank.

 

Petróleo: A Bloomberg News recentemente disse, em um artigo bastante comentado, que o futuro do mercado do petróleo está nas mãos de três homens: Trump, o príncipe saudita Mohamed Bin-Salman e o presidente russo, Vladimir Putin. Desde a publicação do artigo, a volatilidade tomou conta da cotação da commodity, cujo preço tocou a máxima em quatro anos e a mínima em quase dois entre setembro e dezembro. Até agora, os maiores beneficiários da queda dos preços do petróleo entre os emergentes são a China e a Turquia. Se os preços continuarem muito baixos, o problema pode cair no colo dos três homens poderosos do mercado: a Arábia Saudita pode ter de volta os altíssimos déficits fiscais que a assombram há anos, a Rússia pode ver uma piora dos seus desequilíbrios macroeconômicos e os EUA, a quebra da indústria do gás de xisto. Com a desaceleração econômica mundial ganhando intensidade, é provável que o petróleo continue perto dos níveis atuais.

 

FAANGs: Nos últimos anos, havia uma visão quase unânime que comprar ações das cinco maiores companhias de tecnologia americanas era uma aposta segura. No entanto, esse pode não ser mais o caso em 2019. Os papéis de Facebook, Amazon, Apple, Netflix e a da dona do Google, Alphabet, passaram de queridinhos da indústria a vítimas dos surtos de volatilidade. Os últimos meses têm sido uma estrada pedregosa para o grupo, que já está dentro do território de correção. Problemas reputacionais, como no caso do Facebook, ou de cunho comercial, como o da Apple, devem continuar a pesar no setor. E a entrada de duas grandes companhias de tecnologia, neste caso de transporte em massa, como Uber e Lyft, nas bolsas dos EUA, pode intensificar a concorrência para quem investe no segmento. De fato, o declínio das FAANGs provavelmente será um tema conectado às listagens da Uber e da Lyft. A conferir.

 

Rali nos emergentes? Para analistas do UBS, Goldman Sachs e Credit Suisse, há maiores chances de ver os mercados emergentes tendo desempenhos favoráveis no início de 2019, enquanto o mercado decifra se a desaceleração econômica nos EUA é para valer. Embora a maioria dos ativos dos países em desenvolvimento esteja ainda machucada por conta da turbulência nos mercados em 2018, há espaço para altas em ações que oferecem um hedge contra a economia americana, assim como as moedas e títulos da dívida de países em pleno processo de desalavancagem. Muito do sucesso dos mercados emergentes dependerá da capacidade de seus governos de ter um equilíbrio entre as demandas mais urgentes da população e a importância de manter os balanços fiscais e externos em ordem, diz o economista-chefe do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

 

Riscos geopolíticos pontuais: Neste ano, novos presidentes foram eleitos no Brasil, no México e na Colômbia. Em 2019, teremos eleições na Argentina. O caso do México será notável, pela expectativa em torno do governo de esquerda de Andrés Manuel López Obrador – que precisa sacramentar a aprovação do novo Nafta e executar uma agenda econômica que os investidores já demostraram não gostar. Em relação à Argentina, o país irá enfrentar os comícios em meio a uma grave crise financeira, alta da inflação e forte fragmentação política. Outros riscos incluem o Reino Unido, com o Brexit, e a Itália, com sua tentativa de desafiar as regras fiscais da Comunidade Europeia. A aprovação do Brexit será o evento geopolítico mais relevante do primeiro trimestre, junto das conversas comerciais EUA-China.

 

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