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Mercado espera economia com reforma 40% menor que o estimado

Postado por: TC Mover em 01/03/2019 às 14:38

Gestores e outros atores do mercado financeiro consultados pela XP Investimentos estimam que a reforma da Previdência aprovada pelo Congresso Nacional gerará uma economia de R$700 bilhões em dez anos, 40% a menos do que o governo quer, em mais um sinal de ceticismo sobre o alcance da iniciativa mais importante para a sustentabilidade das contas públicas.

 

No mês passado, os gestores entrevistados estavam confiantes na aprovação da reforma, atribuindo uma probabilidade de 80% de que ela seja aprovada, acima do que era esperado em dezembro e janeiro, disse a pesquisa, divulgada na manhã desta sexta-feira. Em relação ao cronograma, 58% esperam que a proposta seja aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados antes de julho, mas apenas 2% acreditam que essa votação aconteça em maio, como prevê o governo. Outros 40% veem a aprovação para o segundo semestre.

 

A não aprovação de reforma levaria a uma queda de 21% na bolsa, com o índice Bovespa atingindo 75.000 e o dólar tocaria R$4,20. Uma reforma que obtenha uma economia de 50% da proposta do governo, de R$1,17 trilhão, deve levar a uma alta de 5% no Ibovespa, para 100 mil pontos e uma queda de 1% no câmbio, para R$3,70. No cenário de aprovação da reforma como enviada pelo governo, a bolsa poderia subir 26%, para 120 mil, e o câmbio poderia recuar para R$3,40.

 

A sondagem é sintomática do sentimento de cautela que impera desde começo do mês passado em relação à reforma e à forma como o governo está articulando sua aprovação no Congresso. Enquanto o mercado comemorou a proposta feita pela equipe econômica, em dias recentes declarações do próprio presidente Jair Bolsonaro trouxeram de volta o temor de que a base do governo no Congresso não esteja engajada com a proposta enviada. Sem uma reforma aprovada perto do que o governo propõe, a economia pode voltar à recessão no ano que vem, de acordo com vários economistas.

 

A bolsa virou e passou a cair 0,25% às 12h45 desta sexta-feira, reflexo da cautela do investidor antes do feriado prolongado de Carnaval, pressionada pela baixa nas ações da Vale e das incertezas com a reforma. O dólar futuro tocou a máxima desde fim de janeiro, a R$3,80. Os juros futuros – uma medida boa da cautela com a situação fiscal do país – ajustavam em bloco para cima.

 

(Foto: Jair Bolsonaro/Agência Brasil)

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