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Confiança em declínio sugere que acordo EUA-China parece remoto ou insustentável

Postado por: TC Mover em 13/05/2019 às 8:50

O mais recente impasse na costura de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China sugere que a confiança entre as partes está fraquejando rapidamente e que o abismo entre as demandas de cada um não para de crescer – colocando em xeque o quão sustentável será uma solução para a disputa.

 

Após meses de falas de emissários e dos próprios líderes dos dois países de que as conversas estavam andando bem e que as diferenças estavam sendo resolvidas, impasses anteriores sobre como e quando remover as sobretaxas americanas ou preocupação entre os americanos de que os chineses se recusassem a sacramentar o acordo com a mudança de certa leis domésticas levaram a uma crise que ameaça o destino de um acordo, disseram reportagens de jornais como o The Wall Street Journal.

 

Mesmo com os EUA e a China fazendo um esforço para projetar a calma, incluindo a divulgação de um convite por parte do governo asiático para emissários americanos visitarem Pequim nos próximos dias, a confiança foi significativamente abalada. O vice-premiê chinês, Liu He, disse em uma entrevista a um jornal chinês no sábado que China não negociará sobre pressão externa e demandou a retirada das sobretaxas para chegar a um acordo. No Twitter, o presidente americano Donald Trump não parou de ameaçar a China com mais sobretaxas.

 

“A discussão não é sobre dinheiro, e sim sobre todas as práticas que trouxeram a China onde ela está hoje em dia. Mudar isso seria praticamente uma mudança de modelo chinês,” disse Daniel Alberini, gestor da CTM Investimentos e contribuidor TC. Para ele, a confiança mútua sofreu um revés na semana passada, o que deve dificultar o fechamento de um acordo.

 

No fim das contas, os mercados recuam hoje com temor de que os gestos de cordialidade e os sinais de cooperação sejam uma fachada. Segundo alguns jornais, segmentos mais radicais da política em Pequim estão sabotando a discussão sobre os assuntos mais sensíveis nas conversas – como as transferências forçadas de tecnologia e roubo de propriedade intelectual por parte da China, – sinal de que estão ganhando o debate interno sobre esses assuntos.

 

Prova disso foi o editorial de hoje do Diário do Povo chinês, culpando os EUA pelo colapso das conversas na semana passada. Dessa forma, os futuros dos índices acionários americanos seguem as quedas nas bolsas asiáticas e europeias, em movimento clássico de aversão ao risco, que inclui uma desvalorização do iuan chinês e quedas nos rendimentos dos Treasuries americanos .

 

O ruído criado pelos sobressaltos da semana passada pode piorar o cenário para a economia global que, segundo o Fundo Monetário Internacional, pode crescer este ano a sua taxa mais lenta desde a crise financeira de 2008. Hoje, autoridades dos EUA devem anunciar detalhes do plano anunciado por Trump de sobretaxar todas as importações remanescentes da China. O governo chinês já ameaçou que vai retaliar qualquer elevação de tarifas.

 

(Foto: Donald Trump e Xi Jinping/ Qilai Chen – Bloomberg – Getty Images)

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