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Bolsa cai com temores de desaceleração global e queda nas commodities

Postado por: TC Mover em 22/01/2019 às 14:01

A bolsa brasileira apresenta sua queda mais forte no ano, refletindo o mau humor no mercado internacional diante de preocupação com a desaceleração da economia global, os temores sobre o desfecho das conversas comerciais entre a China e os Estados Unidos, o recuo das commodities e uma certa frustração com o discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos hoje.

 

A postura defensiva em Nova Iorque contamina diretamente a B3, em São Paulo, e o menor apetite por risco puxou as ações das exportadoras e produtoras locais de commodities. As ações de varejistas recuaram pelo segundo dia, reflexo do anúncio da Amazon do lançamento de uma plataforma de comércio eletrônico com estoques próprios. O volume negociado na bolsa estava perto dos R$4,5 bilhões, baixo para o horário e aquém da média das últimas semanas.

 

O Ibovespa recuava 0,73% a 95.310 pontos às 13h45, liderada pela Vale ON, a Ambev On e as ações ON e PN da Petrobras. O preço do petróleo Brent despencava 3,1% no mesmo horário, a maior queda em mais de duas semanas, refletindo também recuos nos preços do minério de ferro e metais como o cobre e a platina. Ontem, o Fundo Monetário Internacional cortou suas projeções para o crescimento da economia mundial para este ano e o próximo, para 3,5% e 3,6%, respectivamente. As commodities geralmente reagem negativamente a notícias ruins sobre a atividade econômica global.

 

A Vale ON caía 1,21%, a Petrobras ON recuava 1,43% e a Petrobras PN cedia 1%. Siderúrgicas, elétricas e até bancos também eram alvo de movimento de realização com volumes fracos.

 

Os índices acionários americanos também repercutem dados vindos da China divulgados ontem, mostrando que o PIB da segunda maior economia do mundo tocou seu nível mais baixo em 28 anos em 2018. O índice Dow Jones perdia 0,72%, enquanto o S&P500 caía quase 1%. O índice VIX, que mede a volatilidade do mercado e a aversão ao risco, disparava 5,3%.

 

Para Christian Laubenhaimer, da Platinum Investimentos, com o ambiente externo na Europa e nos Estados Unidos se mostrando pesados, devemos sentir alguma pressão no mercado. Um trader sediado em São Paulo vê um processo de leve realização de lucros, na ausência de não fluxos externos positivos e aumento nas alocações dos investidores domésticos.

 

O dólar futuro subia 0,67% ante o real, cotado a R$3,781 – maior nível desde 4 de janeiro – em sintonia com a alta da moeda americana. Já os juros futuros recuavam em bloco, na contramão do câmbio e refletindo uma certa tranquilidade em relação aos planos fiscais de Bolsonaro. Hoje, ele disse em Davos que empreenderá um ajuste fiscal compatível com a necessidade de alavancar o ambiente de negócios no país, porém sem mencionar a reforma da Previdência, o que “nos deixou um pouco decepcionados”, disse o trader.

 

 

(Foto: B3/Divulgação)

 

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