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Arko Advice vê eleição sendo definida entre Bolsonaro, Alckmin e PT

Postado por: TC Mover em 17/08/2018 às 16:28
Murillo de Aragão

  • Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e o candidato do PT (Fernando Haddad), no momento, reúnem a maior chance de ir para o segundo turno, disseram analistas em conversa com assinantes do plano Master do TC.
  • Para eles, “quem irá para segundo turno só vai ser definido muito no detalhe”.
  • Expectativa da consultoria é que as pesquisas eleitorais continuem mostrando padrão similar até a segunda semana de setembro.

 

Em conversa com assinantes do plano Master do TradersClub, os analistas políticos Murillo de Aragão e Cristiano Noronha disseram que a campanha eleitoral ainda se deve se mostrar indefinida por quase um mês, até o início da propaganda partidária e os comícios, o que ganhará força por volta da segunda semana de setembro. Ainda assim, o que se vislumbra é um cenário no qual três forças políticas devem disputar as duas vagas para o segundo turno da eleição: por uma lado, a direita conservadora, representada pelo deputado Jair Bolsonaro; por outro a centro-direita e o status quo político, encabeçadas por Geraldo Alckmin, do PSDB; e a esquerda, com o candidato do PT – que deve ser o ex-ministro Fernando Haddad.

 

A poucas semanas do início da campanha, as pesquisas dão uma discreta vantagem para Jair Bolsonaro, no cenário em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso no âmbito da Operação Lava Jato, não está. No entanto, Aragão e Noronha, ambos contribuidores da plataforma, alertam que alguns fundamentos favorecem os candidatos do PSDB e do PT. Tempo de televisão, palanques mais estruturados e recursos à disposição devem dar a Alckmin e Haddad capacidade de melhorar seus números ao longo do mês de setembro.

 

As observações de ambos sugerem que a fragilidade do atual governo, combinada com o impacto da Lava Jato e à retomada econômica fraca, levaram a uma fragmentação política profunda que dificulta quaisquer previsões exatas sobre o possível resultado da disputa presidencial. Aragão destaca que, desde a eleição de 1989, o Brasil não tinha uma situação similar. Com o governo Michel Temer enfraquecido, propicia-se uma fragmentação política que fomenta a “desorganização das forças políticas, que nesse cenário não conseguem canalizar votos”.

 

Para o investidor, a situação demanda cautela extra, pois os mercados devem ficar cada vez mais sensíveis não só aos números das pesquisas como ao noticiário judicial, que pode enfraquecer tanto o candidato do PSDB como o do PT, na visão de vários gestores contatados pelo TC. No caso de Bolsonaro, sua liderança também pode ser impactada pela narrativa do “politicamente correto”, os ataques que a mídia tradicional faz ao seu estilo e seu discurso visto como mais radical, destacou Aragão.

 

Mais um detalhe de por que a dificuldade de prever o resultado da disputa: segundo Noronha, que cita dados recentes do Instituto Datafolha, 67% do eleitorado decide o voto dele no último mês de campanha. Quase 10% toma essa decisão no dia da eleição. Como mudanças recentes na própria legislação eleitoral retardaram e reduziram muito o início das campanhas, isso acabou “também adiando isso no dia a dia do eleitor, jogando as definições mais para frente.”

 

Veja o que os analistas falaram sobre os três candidatos mais visados para chegar ao segundo turno da eleições – os comentários foram extraídos da sessão de perguntas e respostas na teleconferência com os assinantes do plano Master.

 

  • No caso de Fernando Haddad, os dois ponderam com “certa estranheza e complexidade” o fato de que ele continua tendo um desempenho tão aquém nas pesquisas.
  • Os analistas destacam que a estratégia de Haddad e do PT de se beneficiar da exposição midiática em volta da candidatura de Lula pode alavancar seu desempenho futuro.
  • Sobre Geraldo Alckmin, eles destacam que fez o candidato fez “movimentos interessantes ao fechar palanques em todos os estados. A escolha da senadora Ana Amélia Lemos como sua companheira na chapa à Presidência reforça a presença de Alckmin no Sul do país, desidratando candidaturas rivais.
  • Para Noronha, as pesquisas só mostrarão mudanças a partir de 10 de setembro.
  • Perguntados sobre a capacidade de conversão de votos de Lula, Noronha fez um paralelo com 2010, 2014 e agora, destacando que vê limite de transferência em aproximadamente 50% no primeiro turno, baseado no desempenho da candidata vitoriosa Dilma Rousseff em 2010.
  • Mas alerta: essa capacidade deve ter ficado em um terço disso, por conta do desgaste reputacional do ex-presidente o fato que Lula “não está na rua para fazer comício pelo Haddad”
  • O restante dos votos que Haddad capturar virão do desempenho dele, do seu discurso. Para Noronha, Haddad está subavaliado.
  • Para Aragão, existe uma real possibilidade de Haddad ir para o segundo turno. Em um cenário que ele enfrente Bolsonaro, este último encontraria muita dificuldade contra o “mundo politicamente correto”, mas Bolsonaro tem se mostrado altamente resiliente aos ataques.
  • Ele ressalta que existe uma “rejeição grande ao PT, há certo desprezo ao politicamente correto e não parece haver setores conservadores apostando em um retorno do PT ao poder.”
  • Os dois destacam que a carga política que Haddad levaria para o segundo turno “seria muito pesada”, porque agora seria mais fácil desconstruir Lula. O ataque frontal à Justiça por parte do PT pode se voltar contra a candidatura Haddad.
  • Um ponto interessante é que, para Haddad passar ao segundo turno, ele vai ter de “radicalizar o discurso e, para vencer a definição, vai ter que amaciá-lo”, de acordo com Aragão. Essa operação é muito “complicada de ser feita”, disse.
  • Em relação aos mais pobres, não há evidência de que eles continuam sendo monopólio do PT.  Bolsonaro tem um discurso de segurança pública, que tem bastante apelo nesse segmento da população. Mesmo assim, o desempenho dele ao longo da propaganda eleitoral vai ser fundamental para suas aspirações de chegar no segundo turno.
  • Segundo os analistas, tanto Alckmin quanto Haddad querem Bolsonaro no segundo turno.
  • Um cenário de disputa entre Alckmin e Bolsonaro é muito provável. Considere a máquina de campanha ao redor de Alckmin e o fato que as alianças que ele fez ainda não começaram a trabalhar para ele. O potencial de crescimento dele continua interessante, de acordo com Noronha.
  • Mas vale lembrar que Alckmin tem o risco reputacional de ser denunciado, como foi noticiado pelo G1 ontem. Do ponto de vista legal, isso não impede sua participação na disputa, mas “pode trazer mais embaraço à campanha dele”.

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