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Entenda como a eleição de meio de mandato nos EUA pode impactar o Brasil

Postado por: TC News em 05/11/2018 às 12:59

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, ou “midterms”, são um termômetro da habilidade de um presidente para mudar ou manter a composição do Congresso dois anos antes da disputa presidencial. Tradicionalmente, elas são uma disputa com fortes elementos regionais, mas dessa vez deve ser diferente. Com seu discurso abrasivo e pouco convencional, o presidente Donald Trump habilmente tirou do foco os problemas locais para centrar a atenção do eleitor em tópicos de interesse nacional como a economia mais sólida em décadas, a imigração ilegal e o protecionismo comercial.

 

O resultado das midterms também é um teste da popularidade de um governo. A composição do Congresso vai refletir algum equilíbrio entre a economia e o apelo do presidente. Esses elementos caminham na mesma direção, salvo raras exceções – como esse ano. Isso explica porque essas eleições, que acontecerão em 6 de novembro, são mais difíceis de prever.

 

Trump chega às midterms com uma popularidade historicamente baixa, mas presidindo um período de prosperidade econômica. A esperada derrota dele na Câmara dos Deputados não impactará sua estratégia confrontante na política comercial, mas pode forçá-lo a suavizar sua política de tolerância zero com a imigração. Para países como o Brasil, a história ensina uma coisa: a volatilidade vista desde começo de outubro é típica do período que antecede às midterms; ela também precede ralis de mercado.

 

TC News Pro - Eleições americanas

 

Enquanto Trump surfa o melhor momento econômico dos Estados Unidos desde a Grande Recessão de 2008, sua popularidade paira sobre o nível historicamente baixo de 40%, segundo o instituto de pesquisas Gallup. A dicotomia se deve à desaprovação ao seu estilo pessoal. Ele coleciona desafetos no seu próprio partido, o Partido Republicano, como no Partido Democrata.

 

Conhecedor do seu eleitorado mais fiel, Trump subiu o tom na disputa comercial contra a China e fez de uma caravana de migrantes saída de Honduras uma nova ameaça à segurança nacional, com ameaça de envio de tropas para a fronteira sul do país. Como era de se esperar, ele jogou no colo dos democratas a culpa por tais problemas.

 

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“Nessa eleição tão nacionalizada, o presidente se torna um grande fator. E nós vemos uma grande diferença entre as pessoas que dizem que a economia está indo bem, mas não gostam da direção do país”, explica Anthony Salvanto, diretor de pesquisas da CBS News, em entrevista ao programa Face the Nation.

 

Para mudar o jogo a seu favor, especialmente no Senado, onde a luta pelo controle é mais feroz, Trump apostou na polarização – a mesma estratégia que lhe deu a vitória da eleição presidencial de 2016. Para Kevin Ivers, analista do DCI Group, “a esperteza de Trump está em falar o que sua base quer ouvir. Já a liderança democrata está envelhecida e desconectada dos anseios de seus eleitores”.

 

Até o momento, a estratégia deu certo, de acordo com projeções recentes.

 

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Estão sendo disputadas todas as 435 vagas da Câmara dos Deputados e 35 dos 100 assentos no Senado. Também haverá eleição para governador em 36 dos 50 estados da União americana.

 

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Atualmente, o cenário visto como mais provável pelos analistas é que os democratas retomem o controle da Câmara, com uma margem relativamente apertada, enquanto os Republicanos devem aumentar sua vantagem no comando do Senado. Dezesseis dos estados que escolherão senadores penderam para o lado republicano em 2016.

 

Até o momento, parece improvável que os democratas vençam no Senado e na Câmara, mas se esse cenário se concretizar a aversão ao risco pode aumentar.

 

Nas últimas semanas, o envio de pacotes bombas a opositores de Trump, incluindo as famílias Clinton e Obama, e o tiroteio em uma sinagoga em Pittsburgh alimentaram as críticas à retórica divisiva de Trump, o que pode dar mais fôlego à campanha democrata.

 

Se os republicanos mantiverem sua hegemonia nas duas casas do Congresso, as chances de paralisação do governo são menores e a agenda de Trump, de mais desregulamentação, faria parte desse cenário, bem como um fortalecimento do dólar.

 

Já a conquista da Câmara é um empecilho para Trump. Outra preocupação se a Casa Branca perder a Câmara é o uso político da atual investigação contra a campanha de Trump por suspeitas de conluio com a Rússia na eleição de 2016, para flertar com um impeachment do presidente. Mesmo que um processo seja aberto na Câmara dos Deputados, é improvável que Trump seja retirado do poder.

 

Para analistas do JPMorgan, as midterms devem trazer “volatilidade durante a semana ou o mês, em vez de um ponto de inflexão para quaisquer grandes mercados”. Isso porque os analistas veem pouca chance de mudança fiscal ou regulatória significativa nos cenários mais prováveis da eleição.

 

Enquanto o mercado americano tende historicamente a mostrar desempenho pior após mudança no controle da Câmara dos Deputados, que é considerada bastante comum, para os emergentes o recado é: posicione-se para o rali pós-midterms.

 

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Desde 1990, o índice MSCI Emerging Markets rendeu 15%, em média, nos 12 meses seguintes às midterms – com a exceção de três anos (1995, 2011 e 2015). Em anos sem eleição de meio de mandato, o índice mostrou retornos de um dígito, ou recuou. De qualquer forma, um rali no Brasil ou em outros países emergentes também dependerá de como o dólar se comportar.

 

Uma vitória dos democratas pode colocar pressão adicional na moeda americana – favorecendo os investimentos em ações de países emergentes como o nosso.

 

Crédito da foto principal: Zero Hedge

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