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Após disparada, mercado questiona se o BC não devia intervir para frear o dólar

Postado por: TC Mover em 23/08/2018 às 18:44

— O Banco Central precisa refinar sua estratégia se for agir para acalmar o mercado de câmbio neste novo surto de volatilidade, avaliam gestores e contribuidores TC, que destacam que parte do mercado está ficando ansiosa por uma sinalização da autarquia nessa direção. A desvalorização de mais de 9% na moeda brasileira ante o dólar não só está afetando o mercado de câmbio, mas os juros e a bolsa também.

— Para alguns deles, a condução da política cambial não pode replicar a atuação de maio e junho, quando a autarquia irrigou o mercado com US$20 bilhões em swaps cambiais, mas não conseguiu estabelecer um teto para o câmbio. Evitar erros, assim como melhorar a comunicação com o mercado, torna-se fundamental para que a estratégia, se implementada, atinja seu objetivo, disse Vitor Carvalho, gestor da LAIC Investimentos.

— Para um gestor de patrimônio sediado em São Paulo, a cautela justifica a espera do BC – que há semanas tem mantido rolagem diária de apenas 4.800 contratos de swap cambial – para agir no momento preciso. Caso contrário, arrisca ver, novamente, “estoques de swap consumidos em instantes, sem efetividade”.

— Ninguém crava um momento exato para a atuação, mas Pedro Tuesta, economista chefe para América Latina da Continuum Economics, avalia que, se o dólar ultrapassar os R$4,20, pode ser a hora de o BC agir. Além disso, a alta da moeda deve gerar pressão sobre o BC no quarto trimestre, disse.

— Por outro lado, Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, lembra que o BC tem intervindo em momentos de volatilidade exacerbada mas que, até agora, o estresse no câmbio tem motivos justificados – em especial, a incerteza política que se instalou no país e deve durar até a data da eleição, em outubro.

— Durante a crise de volatilidade de junho, na esteira da greve dos caminhoneiros, o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, afirmou que o BC não teria “preconceito” em usar swaps, reservas cambiais ou leilões de linha para mitigar a volatilidade. E alertou: o BC não elevará os juros para conter a volatilidade do câmbio.

— A taxa básica de juros Selic atualmente se encontra na mínima histórica. O BC mantém que a política cambial não tem relação com a política monetária.

— A leitura de alguns analistas, baseados nos cenários analisados no Relatório Trimestral de Inflação do BC, é que o dólar pode começar a desancorar as expectativas inflacionárias a partir dos R$4,20. Dependendo dos rumos da corrida eleitoral e o do próprio resultado da eleição, o contribuidor TC e gestor da SF2 Investimentos Sérgio Machado não descarta um aumento da taxa Selic – necessário para evitar a dilapidação das reservas cambiais. A próxima reunião do Copom está marcada para 18 e 19 de setembro.

Créditos da imagem: Nelogica

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